Tucano pede a Sarney que presidente do Conselho de Ética do Senado seja imparcial

Priscilla Mazenotti
Da Agência Brasil
Em Brasília

Depois de ouvir o discurso do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no qual ele deixa claro que não renunciará ao cargo por causa das denúncias que vem sofrendo, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) sugeriu que, ao menos, Sarney faça um apelo ao presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), para que tenha uma postura imparcial diante dos processos.

"Um apelo para que ele não se antecipe, não julgue previamente, seja isento e cumpra o Regimento [do Senado]. Para que ele possa julgá-lo da forma transparente e imparcial, como exige a sociedade", disse Álvaro Dias, em plenário.

Duque tem recebido críticas por antecipar sua postura no Conselho de Ética. Conhecido por fazer parte do grupo de aliados de Sarney, o senador fluminense tem sinalizado que vai protegê-lo durante a análise dos processos.

O senador chegou a dizer que não está preocupado com a opinião pública porque ela "flutua". "Seria uma tentativa de debochar da opinião pública?" perguntou Álvaro Dias. "Ele foi eleito e, como primeira ação, agride a opinião pública."

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, João Pedro (PT-AM), disse que, mesmo com a apresentação do balanço de atividades da Casa no segundo semestre, se o Senado não estivesse em crise, "os números seriam maiores".

Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pediu que Sarney encaminhe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cópia do relatório com o balanço das atividades da Casa no primeiro semestre. "Porque o presidente chamou os senadores de pizzaiolos", disse. "E esse relatório ajuda a mostrar que o Senado está produzindo o que deve produzir: leis", completou.

Com um plenário praticamente vazio - apenas cinco senadores presentes -, Sarney encontrou apoio em apenas um discurso: o do senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC). "Nem a opinião pública nem a opinião publicada fará com que, nos bons e nos maus momentos, eu me afaste desse compromisso espontâneo que temos de amizade", declarou.

Enquanto isso, o senador Roberto Cavalcanti (PR-PB), fez, em plenário, um pedido inusitado: para que a Casa troque os carros oficiais dos senadores. "Eles têm apresentado problemas", justificou.

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