Senador defensor de Sarney diz que Virgílio ataca por medo de não ser reeleito

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

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    Wellington Salgado é suplente do ministro Hélio Costa no Senado

As críticas do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) se devem ao temor do tucano de não se reeleger em 2010, já que o desempenho dele na última votação para o governo do Estado foi fraco, afirmou nesta sexta-feira (31) o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos principais defensores do colega de partido no Congresso.

Suplente do ministro das Comunicações, Hélio Costa, e empresário do ramo educacional, Salgado fez fama no Congresso há dois anos quando saiu em defesa de outro correligionário que ocupava a presidência do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Nas últimas semanas ele tem sido visto por parlamentares como um dos principais porta-vozes de Sarney.

José Sarney: discursos e grampos

"Sem dúvida (Virgilio critica por medo de não se reeleger). Não tem como bater no presidente Lula. Quem é que vai bater no presidente com 80% de aprovação? Por isso ele faz o que faz, vem aqui para dizer que é mais puro do que o outro", afirmou Salgado em entrevista por telefone.

A assessoria de imprensa do senador Arthur Virgílio disse que ele deve se pronunciar sobre os ataques recentes feitos por Salgado e outros peemedebistas na semana que vem. Em 2006, quando foi candidato ao governo do Amazonas, obteve 5,5% dos votos - o governador Eduardo Braga (PMDB) acabou reeleito.

O senador peemedebista é um dos principais críticos do líder do PSDB no Senado e afirma que ele estabeleceu um padrão ético tão alto que não é capaz de atendê-lo. Virgílio é acusado de ter um assessor que era pago com dinheiro público apesar de viver na Espanha. O tucano admitiu ter pegado empréstimo de US$ 10 mil com o ex-diretor geral do Senado Agaciel Maia para pagar contas em Paris.

Mais cedo, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, afirmou que "o caso de Virgílio é menos de política e mais caso de psiquiatria".

Sucessão
Para Salgado, o 1º vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), que assumiria a presidência da Casa em uma eventual renuncia de Sarney, é diferente de Virgílio "porque é um bom cirurgião que sabe conduzir bem o bisturi para cortar bastante esse governo do qual é oposição".


Lula diz que Senado não é problema dele

"Marconi é um político inteligente, jovem, moderno e astuto como ninguém. Esses jovens governadores são muito sensíveis politicamente. Se derem espaço para ele, ele vai saber ocupar", afirmou. O tucano foi duas vezes governador de Goiás e reelegeu seu sucessor, Alcides Rodrigues (PP). Apesar dos elogios à "sensibilidade política do tucano, Salgado diz que Sarney "não cogita a hipótese de deixar o cargo".

O peemedebista afirma que o problema central para "esse péssimo clima que o Senado vai encontrar na volta do recesso na semana que vem" é a falta de grandes líderes em vários partidos. "Se você tivesse um Antonio Carlos Magalhães, um Jorge Bornhausen, um Fernando Henrique Cardoso, não chegaria ao ponto que chegou. Eles se reuniriam, procurariam o melhor para o Senado e não essa autoflagelação", afirmou.

Salgado avalia que mesmo com as rusgas entre o PMDB e o PSDB, que deve endossar uma representação de Virgílio contra Sarney no Conselho de Ética do Senado na semana que vem, as eleições de 2010 não estão em discussão no momento.

"O PMDB é um partido muito grande. Você não vai ter Jarbas Vasconcelos com o PT em Pernambuco, mas pode ter o [ministro das Comunicações] Hélio Costa fazendo acordo com o PT em Minas Gerais", comentou. "É difícil o PMDB sair alinhado com um candidato em 2010."

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