Crise pode levar partidos a elevar o tom no enfrentamento pró e contra Sarney

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

O bate-boca no plenário do Senado nesta segunda-feira (3) elevou os ânimos nos partidos da Casa. Em uma reunião suprapartidária nesta terça, senadores discutiram a crise enfrentada pelo Senado e sinalizaram que o tom do enfrentamento pode aumentar.

"Hoje nós vamos ser incisivos, substantivos, consistentes. Não vamos aceitar provocação de ninguém", disse Sérgio Guerra (PSDB-PE), presidente da sigla. Segundo ele, todos os partidos estão decididos a insistir na saída do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), caso contrário, "o Senado não funcionará e haverá crises e crises e crises".

Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que a discussão vista ontem no plenário preocupa os partidos. Na opinião dele, se o clima se repetir e se o Conselho de Ética trilhar um caminho pelo arquivamento das representações contra Sarney, a tendência é que haja uma "radicalização". "Se isso ocorrer, vamos voltar a conversar para decidir o que poderá ser feito."


Durante a reunião, chegou-se a cogitar uma nota em apoio ao afastamento de Sarney, que seria assinada por representantes de vários partidos. A nota poderá ser um recurso adotado após a reunião do Conselho de Ética, marcada para esta quarta.

"Nós podemos partir para um enfrentamento em plenário. Mas vamos esperar a reunião do conselho", disse Renato Casagrande (PSB-ES), ao sair da reunião. Ele ressaltou que as representações só podem ser arquivadas se não tiverem procedência. "Algumas têm procedência. Se todas forem para o arquivo, a situação pode piorar".

Na sessão de ontem, a primeira após o recesso parlamentar de duas semanas, os peemedebistas Pedro Simon (RS) e Renan Calheiros (AL) divergiram sobre a defesa a Sarney. Renan questionou o motivo que está levando Simon a defender o afastamento do presidente da Casa. Fernando Collor (PTB-AL) também entrou na discussão, ao ser citado por Simon.

Para Wellington Salgado (PMDB-MG), que defende Sarney, "o PMDB apanhou demais e precisa de uma nova postura".

O enfrentamento previsto por alguns parlamentares pode ocorrer também por meio de um boicote a votações, como sinalizado por outro dissidente do PMDB, Jarbas Vasconcelos (PE). O senador disse que "onde puder interferir" vai evitar que projetos sejam votados.

Reuniões de bancada na tarde desta terça podem indicar novos rumos em relação à crise enfrentada pelo Senado. Apesar da expectativa de um enfrentamento mais acirrado entre aliados e opositores de Sarney, o discurso final é de que a situação prejudica todos.

"A situação como está não é positiva para ninguém. Não nos alegra o que está acontecendo aqui. É preciso que o Senado se reconcilie com a opinião pública", disse Sérgio Guerra.



Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos