Legislativo se prepara para instalar CPI contra Yeda até o fim do mês

Luciana Lima
Da Agência Brasil
Em Brasil

Até o final deste mês, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul deve instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção, cujo objetivo é apurar denúncias sobre o envolvimento da governadora Yeda Crusius (PSDB) e de outras autoridades estaduais em ilegalidades.

A previsão é do presidente do Legislativo gaúcho, deputado Ivar Pavan (PT), que ontem, quinta-feira (6), enviou o pedido com 39 assinaturas à Procuradoria da Casa para que seja emitido, num prazo de 15 dias, parecer sobre a instalação da CPI. Tão logo o pedido retorne a suas mãos, ele deverá dar um prazo de cinco dias para que os partidos indiquem os integrantes da comissão.

"Acho que pela urgência da proposta a Procuradoria vai abreviar o tempo de análise. Logo que receber o parecer, darei o prazo de 15 dias para que os partidos indiquem seus membros na CPI. Assim, até o final de agosto, a CPI já estará instalada", disse hoje (7) Pavan à Agência Brasil, após se reunir com a juiza da 3ª Vara de Justiça Federal de Santa Maria, Simone Barbisan Fortes. Ela analisa a ação civil de improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público Federal contra a governadora e mais oito pessoas.

Apesar de correr sobre segredo de Justiça, de acordo com Pavan, a juíza concedeu a ele ou a alguém que possa ser indicado pelo presidente do Legislativo gaúcho acesso à ação. O deputado petista disse que na segunda-feira indicará um funcionário da Procuradoria da Assembleia para fazer a análise das informações constantes da ação. "Essa análise servirá para que eu possa embasar minha decisão de dar prosseguimentos a dois processos de impeachment contra a governadora."

Um dos pedidos foi apresentado ontem pelo PSOL, que tem como uma das lideranças no estado a deputada Luciana Genro. O outro pedido foi apresentado por servidores do governo na última quarta-feira.

No entanto, o acesso aos dados da ação foi concedido ao parlamentar sob o compromisso de não divulgação.

De acordo com Pavan, a magistrada disse que está analisando a documentação antes de decidir sobre a quebra de sigilo pedida pelo Ministério Público. "O sigilo ainda não está liberado. Não há como fazer cópia [da ação]. Poderemos ler, verificar, tomar conhecimento, mas não poderemos divulgar", disse o deputado.

A ação de improbidade administrativa contra a governadora e mais oito pessoas foi apresentada na quarta-feira na 3ª Vara da Justiça Federal de Santa Maria, município a 300 quilômetros de Porto Alegre. A ação é baseada em documentos, gravações e depoimentos colhidos na Operação Rodin, deflagrada em maio de 2007 pela Polícia Federal.

A PF fez escutas telefônicas de diversas pessoas suspeitas de usar fundações de apoio vinculadas à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para praticar crimes, como fraudes em licitações e desvio de recursos públicos.

Estão citados na ação, além da governadora, seu ex-marido, o professor Carlos Crusius, o deputado federal José Otávio Germano, os deputados estaduais Luiz Fernando Záchia (PMDB) e Frederico Antunes (PP), o ex-secretário Delson Martini, a assessora da governadora Walna Vilarins Meneses, o vice-presidente do Banrisul, Rubens Bordini, e o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), João Luiz Vargas.

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