Ao menos 3.000 manifestantes do MST ocupam portaria do Ministério da Fazenda

Piero Locatelli
Do UOL Notícias*
Em Brasília

Atualizada às 14h05

Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocupam na manhã desta terça-feira (11) a portaria central do Ministério da Fazenda, onde realizam ato para reivindicar o assentamento de 90 mil famílias e protestar contra a política econômica do ministério.

O MST estima que por volta 3.000 militantes estão no Ministério da Fazenda. Já segundo a Polícia Militar (PM), cerca de 4.000 pessoas participam do ato.

Os manifestantes só deixarão o local se forem atendidos por uma comissão interministerial composta por representantes dos ministérios da Fazenda, Desenvolvimento Agrário (MDA), Casa Civil, Planejamento e do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

Vanderlei Martini, coordenador do ato, disse que o movimento reivindica o assentamento imediato de 90 mil famílias acampadas há mais de quatro anos pelo país, a ampliação do orçamento do MDA - segundo eles, reduzido em 48% desde o início da crise -, e a atualização dos índices de produtividade da terra, que servem de parâmetro para classificar as propriedades rurais improdutivas.

Integrantes do MST ocupam entrada do Ministério da Fazenda

Segundo o movimento, a lei agrária de 1993 determina que esses números sejam atualizados a cada cinco anos, mas a tabela não é alterada desde 1975.

Os trabalhadores portam faixas com frases como "Urgente: Lula, não corte o orçamento da reforma agrária". O grupo vinha em passeata tranquila até o Ministério da Defesa, quando começou uma correria em direção ao Ministério da Fazenda, que fica ao lado.

De acordo com Vanderlei, os manifestantes escolheram o Ministério da Fazenda para fazer o ato porque consideram que a política monetária é o grande entrave para as reivindicações dos sem-terra que não se concretizaram nos últimos sete anos.

Os acampados também cobram do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, os compromissos assumidos em 2005, quando ele recebeu integrantes do movimento que haviam marchado de Goiânia até a capital federal, diz o movimento em nota.

Houve também protestos e ocupações em sedes do Incra e delegacias do Ministério da Fazenda em 12 cidades - São Paulo, Brasília, Belém, Curitiba, Porto Alegre, Cuiabá, Salvador, Florianópolis, Maceió, Fortaleza, Campo Grande e Petrolina (PE).

MST retoma marcha no centro de SP
Os cerca de mil manifestantes do MST e Via Campesina, que integram a Marcha Estadual de Campinas a São Paulo, recomeçaram a passeata na capital paulista nesta terça. Segundo informações da assessoria do MST, o grupo partiu no começo da manhã do Estádio do Pacaembu, onde estava acampado desde ontem, e seguiu em direção à Praça da Sé, no centro de São Paulo, onde devem chegar no meio da manhã.

A marcha teve início na quinta-feira passada em Campinas, no interior paulista, e chegou ontem a São Paulo com o objetivo de chamar a atenção das autoridades públicas para a necessidade de realização da reforma agrária e protestar contra a exploração da classe trabalhadora, o aumento do desemprego como efeito da crise econômica mundial e a criminalização da luta social.

Na quinta-feira passada, uma integrante do movimento morreu ao ser atropelada por um caminhão no quilômetro 79 da Rodovia Anhanguera, em Vinhedo. O grupo passou ainda por Jundiaí, Jordanésia e Osasco antes de chegar a São Paulo.

* Com Agência Brasil e Agência Estado

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