Sem-terra protestam em frente ao prédio do TRF em SP

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizada às 16h20

Protestos dos sem-terra reacendem as discussões sobre reforma agrária?

As passeatas são viáveis na cidade de São Paulo?


Aproximadamente 1.000 integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e da Via Campesina fazem ato neste momento em frente ao Tribunal Regional Federal (TRF) em São Paulo, que fica na avenida Paulista, para protestar contra o Poder Judiciário, que, segundo eles, prejudica a criação de assentamentos em São Paulo por conta de processos contra a desapropriação de latifúndios pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

"Há uma série de latifúndios improdutivos desapropriados pelo Incra que não podem se transformar em assentamentos por causa de ações na Justiça que atrasam a Reforma Agrária em São Paulo", afirma a integrante da coordenação nacional do MST, Soraia Soriano.

Os manifestantes protocolaram pedido de audiência e têm a expectativa de serem recebidos ainda hoje pela desembargadora federal Marli Ferreira, presidente do TRF.

Por volta das 14h30, os sem-terra partiram do estádio do Pacaembu, onde estão alojados durante essa semana, e chegaram ao destino por meio da rua da Consolação, uma das mais movimentadas do centro da capital. A marcha integra a jornada nacional de lutas pela reforma agrária, na qual estão previstos atos, ocupações e passeatas em vários Estados do país até sexta-feira (14).

Na Paulista, os manifestantes podem realizar outro protesto em frente a algum prédio - ainda não definido - do governo federal ou de um representante do agronegócio. Os sem-terra criticam o agronegócio, alegando que é um modelo que traz danos ao ambiente, ajuda a manter as desigualdades sociais e ameaça a soberania alimentar no Brasil.

O grupo também protesta para cobrar do governo federal a realização da reforma agrária e melhores condições para os assentamentos.

À noite, o MST receberá uma homenagem pelos seus 25 anos na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Na sexta-feira (14), participará de um ato também na avenida Paulista ao lado de entidades sindicais e de outros movimentos sociais.

Outros Estados
Integrantes do MST e da Via Campesina protestam em outras 12 cidades - São Paulo, Brasília, Belém, Curitiba, Porto Alegre, Cuiabá, Salvador, Florianópolis, Maceió, Fortaleza, Campo Grande e Petrolina (PE).

Ontem (11), em Brasília, os sem-terra ocuparam o prédio do Ministério da Fazenda ao longo do dia. Nesta manhã, representantes dos ministérios do Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Casa Civil, Planejamento e do Palácio do Planalto se reuniram com os militantes para ouvir as reivindicações dos movimentos.

Reivindicações
As principais exigências são o assentamento imediato de 90 mil famílias acampadas há mais de quatro anos pelo país e a atualização dos índices de produtividade da terra, que servem de parâmetro para classificar as propriedades rurais improdutivas. Segundo o movimento, a lei agrária de 1993 determina que esses números sejam atualizados a cada cinco anos, mas a tabela não é alterada desde 1975.

Os acampados também cobram do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, os compromissos assumidos em 2005, quando ele recebeu integrantes do movimento que haviam marchado de Goiânia até a capital federal, segundo o MST.

O movimento reivindica ainda a liberação de R$ 800 milhões retidos do orçamento destinado ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para aplicá-los na desapropriação e obtenção de terras destinadas à reforma agrária.

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