Após manifestações, senadores sugerem mudança na direção da segurança do Senado

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Manifestações no Senado, que têm se tornado recorrentes no Congresso Nacional por conta da crise, podem levar a mudanças no sistema de segurança da Casa. Em reunião na manhã desta quinta-feira (13), senadores de vários partidos e representantes de entidades como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) discutiram ações de repúdio à crise, entre elas, a mudança na direção da Polícia Legislativa.

O líder tucano, Arthur Virgílio (AM), foi quem defendeu mais diretamente a saída do diretor da área, Pedro Araújo. "Tem que haver demissão. É com esse velho Senado que queremos acabar."

Em plenário, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou que a proposta de mudança no setor surgiu "porque o sistema de segurança tem tratado jovens estudantes com uma força que não se justifica num regime democrático". À noite, o parlamentar disse aos jornalistas que a mudança na direção não precisa necessariamente ser uma mudança de pessoal, mas sim, uma alteração na forma como os funcionários agem quando há manifestações.

Para o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), é preciso haver bom senso das duas partes. "Eu não desejo nem ação da segurança, nem novas manifestações; desejo que haja compreensão."

Interferência de Sarney
Os estudantes que fizeram uma manifestação na tarde desta quinta, pela saída do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foram encaminhados à Polícia Legislativa e liberados apenas três horas depois.

Estudantes voltam a pedir saída de Sarney perto do plenário do Senado

Um grupo de cerca de dez estudantes voltou a fazer uma manifestação no Congresso pela saída do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP)



Segundo Cristovam, houve uma orientação de Sarney para que os estudantes fossem liberados apenas depois de prestarem depoimento e para que a polícia fosse "dura". O primeiro-secretário, Heráclito Fortes, teria defendido que os manifestantes apenas fossem identificados e então liberados.

Consultada, a assessoria do presidente da Casa deu uma versão diferente, dizendo que Sarney "fez um apelo" para que os jovens fossem liberados, mas que não poderia determinar a liberação, porque a polícia tem autonomia para agir. O diretor da área de segurança também foi procurado, mas não respondeu à ligação.

Os manifestantes, ao deixarem o local, disseram que foram ameaçados, tiveram documentos apreendidos e que a situação só mudou depois da interferência de alguns senadores que estiveram na Polícia Legislativa, como Cristovam, Eduardo Suplicy (PT-SP) e José Nery (PSOL-PA).

Dois estudantes, menores de idade, deixaram a polícia acompanhados dos pais. Severino de Moraes, pai de uma das manifestantes, disse que os cidadãos "devem agir" para mudar a situação. "Eu me congratulo com a minha filha", declarou. "Precisamos ir à luta. Quem sabe no ano que vem nós não mudamos os 54 nomes que estão aí e que serão renovados?"

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