MST ocupa prédios públicos e fazendas em Alagoas

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Cerca de 800 trabalhadores rurais do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) ocuparam três prédios públicos e duas fazendas nesta quinta-feira (13) em Alagoas. A ação faz parte de uma jornada nacional pela reforma agrária. No Estado, eles pedem o assentamento de 5.890 famílias já acampadas no interior. No país, seriam 90 mil famílias.

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    Em Alagoas, MST justifica ocupações por causa da demora nas negociações com os órgãos federais

Na manhã de hoje, o MST ocupou os prédios do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e do MDA (Ministério de Desenvolvimento Agrário), ambos em Maceió, e do Fórum de Atalaia, a 48 km da capital. Em Murici, distante 43 km de Maceió, os sem-terra ainda ocuparam as fazendas Ceridó e Aruá.

Segundo o MST, 600 famílias participam da ação em Maceió, enquanto 150 estão nas fazendas de Murici e outros 60, no Fórum de Atalaia. Além das ocupações de prédios públicos, desde terça-feira (11) centenas de famílias estão acampadas na praça Sinimbu, no centro da capital.

Reivindicações
O MST em Alagoas explica que as ocupações desta quinta-feira são uma resposta à demora no avanço das negociações com os órgãos federais com a direção do MST em Brasília.

"O movimento nacional teve uma conversa ontem (12) com um grupo interministerial, que marcou uma nova negociação para terça-feira. Mas essa pauta não é nova. Desde 2005 discutimos esses assuntos e o atraso nessa renegociação, como se ela fosse de reivindicações nova, nos deixou apreensivos. Por isso intensificamos as ações em todo o País", explicou Rafael Soriano, assessor de imprensa do MST no Estado.

De acordo com Soriano, a pauta inclui, além dos pedidos de assentamentos, uma recomposição orçamentária para a reforma agrária, o que justificaria as ocupações do Incra e do MDA.

"Houve um corte de 40% no orçamento, que era de R$ 800 milhões. Com esses recursos contingenciados, só para assentar 17 mil famílias no país este ano. Pedimos também a alteração imediata do índice de produtividade rural, que estão desatualizado. O MDA e o Incra já fizeram um estudo e já têm a nova base. O que falta é editar a portaria, ou seja, vontade política", afirma Soriano.

Sobre as fazendas ocupadas, o MST alega que elas são arrendadas à usina Santa Clotilde e estão ociosas. Segundo o MST, nas duas fazendas, 400 trabalhadores rurais foram flagrados em situação de trabalho análogo à escravidão no ano passado. "Essas terras estão inseridas plenamente no que diz a lei da reforma agrária e prontas para serem desapropriadas. Mas existe uma demora muito grande do poder público", denuncia o representante do movimento.

Soriano justifica a invasão de um fórum "para denunciar que o Poder Judiciário e os latifundiários são intimamente ligados". "Isso é um fato nacional e que atrapalha a reforma agrária no país. A ligação deles faz com que existam reintegrações de posse violentas em conflitos agrários".

À espera de Brasília
Segundo o superintendente do Incra em Alagoas, Gilberto Coutinho, a ocupação do MST na sede do órgão foi uma surpresa, "já que estavamos com reunião marcada".

Ele informou que toda a negociação é realizada em Brasília. "A ocupação é nacional. Nós estamos aguardando a sinalização de Brasília. Fizemos um contato local, mas eles disseram que não haverá negociação aqui", disse ao UOL Notícias.

Coutinho informou ainda que a meta para 2009 é assentar 2.000 famílias no Estado. "Essa é a nossa meta para o ano, que é a possível de ser feita", alegou, descartando a hipótese de crescer o número para 5.890, como pede o MST no Estado.

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