Visita de Lula a Goiás ganha ar de comício

Sebastião Montalvão
Especial Para o UOL Notícias
Em Goiânia

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Goiás nesta quinta-feira (13) tinha o propósito de inaugurar obras, mas o tom dos discursos teve ares de campanha política em frente ao Palácio das Esmeraldas, sede do governo.

Cerca de 12 mil pessoas acompanharam o discurso, questionado pelo PSOL, que entrou com uma representação no Tribunal Regional Eleitoral, alegando campanha política extemporânea.

"Estamos combatendo uma prática impune do governo Lula, que usa a máquina administrativa e faz de tudo para viabilizar a candidatura plantada de Dilma Rousseff. Em Goiás, esta prática fez um casamento perfeito com o coronelismo de Íris Rezende [prefeito de Goiânia (PMDB)] e Cidinho [o governador Alcides Rodrigues (PP)]", disse Martiniano Cavalcante, presidente regional do partido.

A solenidade foi organizada em parceria entre o governo do Estado e a Prefeitura de Goiânia. A assessoria de imprensa do governador confirmou que a locação e montagem dos cinco palcos, além de várias tendas, foram pagas pelo Estado. A assessoria do prefeito informou que a contratação dos shows ficou sob a responsabilidade da prefeitura. As assessorias, porém, não informaram o valor gasto.

Também na tarde desta quinta-feira, o PSOL também entrou com uma representação no Ministério Público para apurar se houve uso de dinheiro público e dispensa de pessoal. Em decorrência da visita, a Secretaria Municipal de Educação determinou a suspensão das aulas no período vespertino e noturno.

"É um absurdo que a Prefeitura de Goiânia e o Governo estadual utilizem a estrutura pública com finalidade eleitoreira. Mas o que mais indigna é o município mandar fechar as escolas e as creches e milhares crianças sem aula e as mães trabalhadores sem onde deixar seus filhos para garantir volume de pessoas no showmício de Lula em Goiânia. Isso é um crime", disse o vereador Elias Vaz, único representante do PSOL na Câmara Municipal.

A prefeitura divulgou uma nota em que justifica a ação. De acordo com a secretaria, a suspensão teve o objetivo de garantir a "segurança de nossos educandos, crianças ainda pequenas, que, em sua maioria, deslocam-se para as instituições educacionais desacompanhados".

As principais avenidas da região central de Goiânia saem da praça Cívica, local onde está instalada a sede do governo. Desde o início da tarde, parte das vias tiveram o trânsito interrompido. O local foi utilizado para o estacionamento de ônibus e veículos de autoridades. De acordo com previsão do cerimonial do governador, prefeitos de 200 cidades do interior estiveram presentes.

Showmício
A entrega de obras ficou em segundo plano. Duas mulheres receberam simbolicamente a chave de suas casas (oficialmente foram entregues 5.000) e um casal recebeu das mãos do presidente Lula a escritura de um terreno, simbolizando a regularização fundiária de cerca de 80 mil imóveis em Goiânia. A cerimônia durou pouco mais de três minutos.

Lula quer aliança para eleger Meirelles governador em GO

Pouco antes de um evento com tom eleitoral nesta quinta-feira (13) em Anápolis, cidade goiana onde nasceu o ex-executivo do Bank Boston, Lula afirmou que é necessária uma aliança para eleger o homem que considera um dos responsáveis pela resistência do país à crise econômica mundial



Por outro lado, ficou clara a possibilidade de uma grande aliança para lançar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao governo de Goiás em 2010. Meirelles acompanhou a comitiva presidencial desde a visita à Ferrovia Norte-Sul, em Anápolis (54 km de Goiânia), não discursou, mas ganhou elogios de Lula à forma como Meirelles conduz a economia do Brasil.

"Sou muito agradecido a ele [Meirelles] por ter ajudado a conquistar a estabilidade e o respeito que o Brasil hoje tem no mundo. Em qualquer país do mundo o Brasil é tratado com respeito", disse o presidente.

O prefeito Íris Rezende é tido como candidato certo ao governo estadual em 2010. Porém, o PT de Lula ocupa a vice-prefeitura e poderia auxiliar na "costura" de um acordo para uma candidatura única contra o senador Marconi Perillo (PSDB).

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