Marina seria um raio de sol, afirma sociólogo Francisco de Oliveira

Haroldo Ceravolo Sereza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A eventual candidatura de Marina Silva à Presidência da República seria "um raio de sol" na política brasileira, afirma o economista e sociólogo Francisco de Oliveira.

  • Raimundo Pacco - 21.jul.2006/Folha Imagem

    O economista e sociólgo Francisco de Oliveira

Um dos intelectuais mais importantes do PT, Oliveira rompeu com o partido logo no início do primeiro governo Lula, em 2003. Atualmente, está filiado ao PSOL. Questionado sobre a eventual candidatura de Heloísa Helena, ele respondeu: "Quem disse que ela será candidata? Meu voto é soberano. Vou utilizá-lo para abrir brechas nesse sistema quase oligárquico que está se estabelecendo, entre PT e PSDB."

Oliveira diz também que a candidatura Marina, que atualmente analisa convite do PV para disputar a Presidência, "abre uma clareira" para que vozes diferentes possam se manifestar. "Não sou Serra nem Dilma. A candidatura possível de Marina alerta para isso. É preciso romper com essa carapaça em que está se transformando a política brasileira."

Oliveira compara a atual divisão entre os dois partidos à divisão entre liberais e conservadores no Império, cuja herança foi a fraqueza do Estado brasileiro até 1930.

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"Os dois partidos não rompiam a casca dos problemas, não davam o passo adiante", afirma, um modelo que, insinua, está em vias de se repetir. Outra consequência disto teria sido o atraso na implantação das universidades no país: "A universidade brasileira é da década de 1930. É, nesse sentido, o país mais tardio nas Américas", afirma.

Sobre a crise do Senado, Oliveira recorre ao futebol. "O governo Lula, em termos futebolísticos, que são tão caros ao presidente, não entra em bola dividida. Esta empurrando a crise institucional do Senado com a barriga." O economista e sociólogo afirma que, no atual processo de desgaste, "todos perdem, e o governo Lula perde mais do que pensa". Os escândalos, para ele, "estão se concentrando em figuras que não merecem o Senado. A culpa é dos senadores, não das instituições."

"Muitas pessoas acham o Senado supérfluo, que bastaria um Congresso unicameral. Isso é coisa de paulista. Ele é importante para os Estados que não têm poder econômico", completa.

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