Sarney se defende de acusação sobre imóveis em SP e diz que jornal faz campanha "nazista"

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Atualizado às 20h22

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), usou mais uma vez um discurso no plenário da Casa para se defender de acusações. Nesta segunda-feira (17), o peemedebista usou o microfone para atacar "O Estado de S.Paulo" e se defender da denúncia publicada pelo jornal de que ele teria apartamentos em São Paulo pagos por uma empreiteira.

Sarney se defende de acusação e diz sofrer campanha nazista


"É com grande tristeza que vejo 'O Estado de S.Paulo' hoje, depois de uma decadência financeira que o levou a terceirizar sua administração, terceirizar sua redação, sua experiência e sua respeitabilidade. Transformou-se em um jornal que passou a ser, em vez de um jornal lido e respeitável, um tablóide londrino", comparou.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal proíbe desde o início do mês o jornal "O Estado de S. Paulo" de publicar informações sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investiga, entre outros, Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.

"O jornal vem se empenhando em uma campanha sistemática contra mim, uma sistemática nazista de acabar com a imagem da pessoa até levar para a câmara de gás. Felizmente não temos câmara de gás no Brasil".


No início da noite o jornal informou que não vai responder aos ataques do presidente do Senado.

Ainda no plenário, o senador Pedro Simon (RS), do mesmo partido de Sarney, defendeu a cobertura do jornal paulista. Simon voltou a pedir, da tribuna do Senado, a renúncia de Sarney da Presidência da Casa.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse por meio do microblog Twitter que é "inexplicável" que Sarney "fique contra o esclarecimento" das últimas acusações.

Imóvel "modesto"
Sarney pediu para os colegas "refletirem" sobre o fato antes de falar em investigação. Disse que o apartamento que comprou "ainda durante a construção" é um imóvel "modesto", de 85 m2.

"Eu comprei o primeiro apartamento ali em 1977 para ali morarem meus filhos. Esse apartamento, muitos colegas meus já foram lá e se admiraram: 'Como é que o presidente Sarney mora num apartamento de uma sala muito pequena e dois quartos?' E eu, quando vou a São Paulo me hospedo lá". O peemedebista disse que "devia ser louvado" por economizar diárias ao ficar em seu apartamento em São Paulo.

Liberdade de imprensa

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, cobrou do Tribunal de Justiça do Distrito Federal rapidez no julgamento da liminar que proíbe o jornal O Estado de S. Paulo de publicar reportagens sobre o empresário Fernando Sarney, filho do senador José Sarney (PMDB-AP).


José Sarney afirmou ainda que seu filho Fernando Sarney adquiriu outro imóvel no mesmo prédio pela "facilidade", para que seus netos ficassem perto dos primos. "Meu filho colocou (o imóvel) no Imposto de Renda. A escritura ainda não foi passada porque ainda está sendo feito o pagamento. Mas meus filhos se defenderão por eles mesmos".

"O que me traz à tribuna é que alguns colegas meus foram muito apressados, não procuraram nem saber do que se tratava e já pedem investigação sobre os imóveis de Sarney", reclamou citando, entre outros, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), e Demóstenes Torres (DEM-GO). "Por causa de uma notícia de jornal instaurar uma investigação? Se alguém comprasse algum imóvel, se houvesse algum pagamento de imposto que não tivesse sido feito, se soubesse você denunciaria à Receita Federal. Mas o que tem isso com o Senado?"

O presidente do Senado também reclamou do vácuo criado com a revogação da Lei de Imprensa, decidida pelo STF (Supremo Tribunal Federal). "A Constituição diz que nós temos direito à privacidade. E este país rasga a Constituição, porque nenhum de nós tem mais garantia à privacidade. Não temos lei de imprensa, não temos direito de resposta. O que devemos fazer? Submeter-nos a isso aqui que nós estamos vendo."



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