Começa depoimento de Lina Vieira no Senado

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Com mais de duas horas de atraso, começou na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) o depoimento da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira. Lina Vieira foi convidada a prestar esclarecimentos sobre o encontro que diz ter tido em particular com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no qual a ministra teria solicitado que auditorias em empresas da família Sarney fossem aceleradas. Dilma nega que a reunião tenha ocorrido. O requerimento foi aprovado em votação na CCJ na semana passada, em sessão esvaziada de governistas.

Antes de a sessão começar, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), questionou a decisão da CCJ de ouvir a ex-secretária. O senador pediu a votação de três requerimentos para que a ex-secretária fosse ouvida em outras comissões, de acordo com o assunto a ser tratado. "Não há pertinência entre o requerimento aprovado e a CCJ".

Jucá ressaltou, no entanto, que a ex-secretária poderia ser ouvida nesta terça porque o governo "não teme" o debate sobre a questão.

Segundo Jucá, se o objetivo fosse tratar de matéria tributária, o fórum competente seria a Comissão de Assuntos Econômicos. Se a ideia fosse tratar de investigação de membros da família Sarney, é uma questão para o Conselho de Ética, ainda segundo Jucá. E, se fosse para tratar de assuntos gerais sobre a Receita Federal, seria o caso de ouvir a ex-secretária na Comissão de Fiscalização e Controle.

"Vou colocar o requerimento e quero ganhar no voto. Mas depois vamos ouvir a senhora Lina Vieira, porque o governo não teme essa questão e tem interesse em encerra-la", afirmou Jucá

Acareação
A oposição contra-atacou. Voltou a defender uma acareação entre Lina Vieira e a ministra Dilma Rousseff. "Por que tanto medo de ouvir a ex-secretária Lina Vieira? Por que o governo quer calar a ex-secretária? O que não se pode estabelecer é o império da mentira nesse país", afirmou Álvaro Dias (PSDB-PR), acrescentando que tem requerimento pronto para ser votado solicitando que a ex-secretária e a ministra da Casa Civil sejam ouvidas no mesmo dia, na mesma comissão.

O líder do DEM, José Agripino (RN), afirmou que o requerimento com o convite para que Lina Vieira comparecesse à CCJ foi "democraticamente apreciado", pois havia 14 senadores presentes à reunião em que foi votado.

"Ao longo da sessão, o plenário esteve cheio, inclusive de integrantes do Partido dos Trabalhadores, do governo. Não sei por qual razão foi esvaziando. O que esta comissão faz é tratar de justiça. Saber quem é que está com a verdade, quem está com a mentira."

O senador da oposição disse que, depois de ouvida a ex-secretária, defenderá a convocação da ministra Dilma, "para que ela possa contestar a versão da senhora Lina". "Não vamos aqui tapar o sol com a peneira. Temos que saber quem é mentiroso nessa história. Essa comissão vai dar oportunidade hoje para a ex-secretária Lina Vieira e depois, se for necessário, à ministra Dilma para dar sua versão".

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), disse que Lina Vieira poderá ser ouvida e que tem "muito interesse" em ouvi-la. Afirmou ainda "entender o nervosismo da oposição" e que a grande popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva coloca sua provável candidata à sucessão, Dilma Rousseff, em vantagem na disputa eleitoral do ano que vem. "É evidente que sua candidata tenha um fantástico apelo eleitoral. Entendo o nervosismo dos senadores da oposição."

Lina chegou à comissão cerca de 15 minutos antes do horário marcado para a reunião: 9 horas. Logo que entrou na sala, ainda eram poucos os senadores presentes.

Quando a base aliada e a oposição pareciam ter chegado a um acordo para que a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira iniciasse o depoimento à CCJ, o debate entre os parlamentares esquentou.

O tucano Flexa Ribeiro (PA) falou que a "tropa de choque" do governo tinha se tornado uma "Fard" - "Forças Armadas da Dilma", em uma referência à ministra Dilma. "As Fard impedem de uma maneira absoluta o depoimento de Lina Vieira".

A declaração irritou os governistas. Mercadante disse que as tais "Fard" teriam surgido pelo temor ao "Gas" - "Grupo de Assalto do Serra", em referência ao governador de São Paulo, o tucano José Serra.

Almeida Lima (PMDB-SE) também se exaltou. Admitiu fazer parte da "tropa de choque" que defende o governo e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). E disse que a tropa de choque estava "preparada contra os trombadinhas do poder, aqueles que querem roubar o poder a qualquer custo".

Enquanto isso, a ex-secretária continuou aguardando para iniciar seu depoimento. Ela deve prestar esclarecimentos sobre um suposto encontro que afirma ter tido com a ministra Dilma. Na reunião, a ministra teria pedido celeridade nas investigações feitas em empresas ligadas à família Sarney.

Cobrança por provas
Nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou Lina Vieira a apresentar a sua agenda para comprovar o encontro com Dilma. Na semana passada, o DEM apresentou requerimento solicitando as imagens do circuito interno e os registros de veículos da Casa Civil, dos meses de novembro e dezembro do ano passado, período do suposto encontro. O partido também pediu acesso à agenda da ministra e questionou se existe outra agenda, extra-oficial, na qual a reunião poderia ter sido registrada.

Para Lula, a discussão sobre a divergência do encontro "empobrece" o debate político, uma vez que o país "tem assuntos mais importantes" para tratar.

O senador ACM Júnior (DEM-BA) levou para a CCJ, por escrito, uma série de questionamentos que pretende fazer à secretária, entre eles, se Lina comunicou ao ministro da fazenda Guido Mantega (seu superior hierárquico) o suposto pedido de Dilma e se ela aceitaria uma acareação com a ministra. Segundo o parlamentar, a apresentação de um requerimento de convocação da ministra para depor na CCJ dependerá do depoimento de Lina.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos