Estudantes protestam contra Senado em São Paulo

Da Agência Brasil
Em São Paulo

Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) participaram hoje (18) de manifestação contra a corrupção no Brasil, simultaneamente à abertura da exposição do Museu da Corrupção (Muco), no Pátio das Arcadas, no campus universitário do Largo São Francisco, região central da capital paulista.

Durante o protesto, a presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, Talita Nascimento, leu um manifesto contra a corrupção e a impunidade e, em seguida, foram distribuídas pizzas batizadas com os nomes de parlamentares envolvidos em algum tipo de escândalo.

A manifestação e a abertura do museu foram organizadas em parceria pela Associação Comercial de São Paulo e pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, e o objetivo é trazer para o plano físico o Muco, que já existe na internet, no site www.museudacorrupcao.com.br.

Segundo o diretor do jornal Diário do Comércio, ligado à Associação Comercial de São Paulo, Moisés Rabinovici, o museu é um acervo de informações sobre todos os escândalos da política brasileira. Com isso, espera-se que a população não esqueça os escândalos, seus resultados e seus protagonistas, principalmente na hora do voto.

Rabinovici disse que a ideia surgiu com a constatação de que cada novo escândalo novo derrubava o anterior. "Fiquei me perguntando como isso podia acontecer e comecei a pensar em um modo de criar uma memória para isso, e daí ao museu foi um passo." A fase de pesquisa durou seis meses, até que o site do museu foi lançado no dia 21 de abril, informou.

O museu virtual, explicou, é um prédio no qual o internauta passeia e entra nas salas que quiser visitar. "Tem uma lojinha virtual com produtos engraçados, que não são vendidos de verdade, uma pizzaria e agência de viagens com todas as viagens feitas pelos parlamentares, entre outras coisas."

De acordo com o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, o museu é atemporal e não está fazendo críticas, mas pedindo que a sociedade participe de sua história. Ele disse que o Muco, tanto o da internet quando o do Largo São Francisco, existem para mobilizar a sociedade.

"O mundo inteiro vive com o desenvolvimento do capital, de interesses, da concorrência, então, sempre vai haver desvios. Mas é importante que a única forma de direito à liberdade é por meio da participação. Criticar por criticar é fácil. A intenção da associação é que a sociedade entenda que só ela é que muda o curso da história."

A estudante Talita Nascimento lembrou que o ato faz parte de uma campanha do centro acadêmico, realizada desde o ano passado, contra a memória curta. Talita informou que a ideia de unir a manifestação dos estudantes ao Muco partiu do caráter irônico das ações das duas partes. "Mais a ver com o XI de Agosto, impossível, até porque todas as manifestações do XI sempre tiveram o caráter irônico do nosso lema, que é 'Rindo, Mudam-se os Costumes'", explicou.

Até o início da tarde, o manifesto contra os atos secretos e a corrupção no Senado tinha cerca de 2.900 assinaturas e pode ser acessado e assinado no www.petitiononline.com/xisenado. O objetivo é divulgar e encaminhar o texto à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal.

"O poder público tem que perceber que a sociedade civil está vigiando o que está acontecendo. É claro que o ato não faz com que haja mais seriedade na política, não força os homens públicos a ter mais respeito com a gestão pública, mas serve como um momento de simbologia, para mostrar que a sociedade civil está vigiando e que isso vai ser cobrado depois", afirmou a estudante.

Escrito pelos estudantes, o manifesto destaca que a reincidência de escândalos faz com que a arte da política, vista com admiração desde a cultura grega, seja encarada como algo digno de escárnio. "Escândalos como esses, tão recorrentes no cotidiano político brasileiro, nada mais são do que um reflexo de um vício estrutural que se arrasta por toda a formação histórica do país." O texto aponta distorções do jogo democrático que favorecem "o pequeno grupo que se apoderou da máquina pública" e lembra que voltaram à atualidade "genuínas expressões de um passado coronelista", como nepotismo, apropriação de recursos públicos e negociação de cargos.

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