No Senado, Lina reafirma encontro com Dilma

Claudia Andrade
DO UOL Notícias
Em Brasília

Atualizado às 12h44

Quem está mentindo?
Lina ou Dilma?

A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira confirmou à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, nesta terça-feira (18), que teve um encontro particular com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e que a ministra pediu para que a fiscalização feita em empresas da família Sarney fosse acelerada. Dilma nega o encontro.

"O encontro houve e reitero a entrevista que concedi ao jornal Folha de S.Paulo publicada no dia 9 de agosto deste ano", afirmou aos senadores. "A ministra me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização sobre o filho de José Sarney. Eu não procurei o jornal. Fui procurada por dois repórteres da Folha que me pediram simplesmente para confirmar o que eles já sabiam."

Lina Vieira disse que não se sentiu pressionada pela ministra Dilma e classificou como "descabido" o pedido de celeridade feito pela ministra da casa Civil.

Lina Vieira descreveu sua visita à ministra da Casa Civil. Disse que foi identificada na entrada e encaminhada à sala onde haveria a reunião. "Foi um encontro rápido. Conversamos poucas amenidades no início e ela me pediu que a investigação do filho de Sarney fosse acelerada".

Lina Vieira negou que a solicitação de Dilma Rousseff tenha sido no sentido de abandonar a investigação. "O pedido da ministra foi: agilizar a fiscalização do filho de Sarney", disse Lina. Questionada se a solicitação teria sido interpretado pela ex-secretária como uma forma de "deixar pra lá" a fiscalização, Lina negou. "Não foi isso. De forma nenhuma foi isso", disse. "Eu entendi, das palavras da ministra, que resolvesse logo as pendências, que desse celeridade ao processo".

"Eu entendi (que o pedido da ministra) era para concluir logo, dar um encaminhamento célere à investigação. Que ela fosse encerrada", explicou, sobre sua interpretação da conversa com Dilma Rousseff sobre as empresas de Fernando Sarney.

Questionada sobre a data do encontro, Lina disse que o encontro não constou de sua agenda oficial nem na agenda da ministra. "Mas eu não preciso de agenda para dizer a verdade."

Nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou Lina Vieira a apresentar a agenda dele para provar que teve um encontro com a ministra Dilma.

Segundo Lina, a investigação estava ocorrendo em segredo de Justiça, então não havia motivo para dar conhecimento da reunião ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. A ex-secretária disse ainda que este foi o único encontro reservado que teve com a ministra.

A ex-secretária também foi questionada sobre a Petrobras, mas não quis comentar a situação tributária da estatal, alegando que preferia se ater ao assunto para o qual foi convidada a prestar esclarecimentos.

"Não busquei, não desejei toda essa exposição. Não disputarei cargos eleitorais. Não vim a essa comissão com o propósito de fazer o jogo de A ou de B, de X ou de Y. Não tenho interesse em alimentar polêmicas, nem prejudicar ninguém. Tenho interesse apenas de preservar minha história de vida", acrescentou Lina, em sua exposição.

A ex-secretária esperou mais de duas horas para iniciar seu depoimento e o fez ressaltando que estava na comissão "como cidadã" e que em sua trajetória de 33 anos "dedicados exclusivamente à administração tributária" foi sempre "de natureza técnica". "Nunca tive filiação partidária".

Atraso
O depoimento de Lina começou após quase duas horas e meia de espera.O início do depoimento foi longamente atrasado por uma discussão entre senadores da base governista e da oposição. Os governistas criticaram o depoimento da ex-secretária na CCJ. Eles defendem que, de acordo com o assunto a ser discutido, haveria outras comissões mais apropriadas, como a de Assuntos Econômicos.

A oposição contra-atacou: voltou a defender uma acareação entre Lina Vieira e a ministra Dilma Rousseff. O presidente da CCJ, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), não colocou em votação requerimentos apresentados pelo líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR). Jucá defendia que o depoimento de Lina ocorresse em outro fórum do Senado. O peemedebista protestou contra a atitude de Demóstenes, mas reforçou que não se tratava de uma tentativa de cancelar o depoimento. "Não estamos aqui lutando pra deixar de ouvir a senhora Lina, mas para que o regimento do Senado seja respeitado. Lamento que a oposição tenha forçado tanto a barra".

Jucá não foi o único governista a questionar a aprovação do requerimento para que a ex-secretária fosse ouvida pela CCJ. Também não foi o único a dizer que, apesar disso, ela deveria dar sua versão sobre os fatos nesta terça.

Depois de um longo debate, os senadores começaram a demonstrar impaciência e a cobrar o início rápido do depoimento de Lina Vieira. Lembraram até que seria "falta de educação" deixá-la esperando por tanto tempo. A ex-secretária chegou à sala da comissão no Senado por volta das 8h45. A sessão estava marcada para ter início às 9 horas.

Debate acalorado
Antes de Lina começar a falar, o tucano Flexa Ribeiro (PA) falou que a "tropa de choque" do governo tinha se tornado uma "Fard" - Forças Armadas da Dilma", em uma referência à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), provável candidata à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "As 'Fard' impedem de uma maneira absoluta o depoimento de Lina Vieira".

A declaração irritou os governistas. O líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), disse que as tais "Fard" teriam surgido pelo temor ao "Gas" - "Grupo de Assalto do Serra", em referência ao governador de São Paulo, o tucano José Serra.

Almeida Lima (PMDB-SE) também se exaltou. Admitiu fazer parte da "tropa de choque" que defende o governo e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). E disse que a tropa de choque estava "preparada contra os "trombadinhas do poder", aqueles que querem roubar o poder a qualquer custo".

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