Pessoas com mais renda confiam menos na Justiça, diz pesquisa da FGV

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Como você avalia o Judiciário brasileiro?


Pesquisa realizada pela Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), divulgada nesta terça-feira (1º) revelou que a Justiça tem avaliação pior entre as pessoas com maior renda e grau de escolaridade.

A pesquisa ouviu 1.636 pessoas de diferentes classes sociais em sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Brasília e Porto Alegre - que juntas possuem um terço da população brasileira) entre abril e junho deste ano e revelou que metade dos brasileiros tem uma percepção negativa do Judiciário, mas que 80% procurariam a Justiça para resolver algum conflito. A margem de erro é de 2,5%.

A FGV calculou o valor médio desses dois percentuais e criou o Índice de Confiança na Justiça (ICJ). Entre os que possuem renda superior a R$ 5.000 por mês, 62% confiam no Judiciário. Já entre os que recebem entre R$ 1.000 e R$ 2.000 mensais, o percentual é de 67%. Dos que possuem renda mensal inferior a R$ 1.000, 65% confiam na Justiça, o mesmo percentual somando todos os entrevistados.

Considerando o grau de escolaridade, entre os que possuem cursos de pós-graduação, somente 56% dizem confiar na Justiça. O maior percentual de confiança (66%) é verificado entre os que possuem primeiro e/ou segundo grau completos. Entre a parcela menos instruída da população - sem instrução ou com apenas o primeiro grau incompleto, 63% confiam no Judiciário.

"Quanto maior a renda e escolaridade, maior é a capacidade crítica para avaliar a Justiça. Para os mais humildes, a confiança é maior porque muitas vezes o juiz é a salvação da vida", diz Fábio Mirto, do departamento de pesquisas do Judiciário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

"Para a população, sobretudo a parcela menos instruída, a Justiça significa várias coisas, como poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, advocacia particular, até polícia, diz Maria Tereza Sadek, cientista política e especialista em direito. "A percepção dos direitos se dá muito mais nas áreas do trabalho e do consumidor", acrescenta.

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