Heloísa Helena diz que chance de disputar Presidência é mínima e critica "oportunistas" do PSOL

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

A presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena, deixou claro que não deve concorrer novamente à presidência da República em 2010. Em entrevista nesta quarta-feira (2) à rádio Jornal de Alagoas, a vereadora de Maceió afirmou que a chance de optar pela candidatura ao Senado "supera os 95%". Porém, a decisão só será tomada em janeiro do próximo ano, quando está marcada a conferência eleitoral nacional.

Segundo Heloísa, quem decidirá o cargo que disputará é o povo de Alagoas. "Em todas as pesquisas, os alagoanos me colocam em primeiro lugar [na corrida pelo Senado]. Assim, hoje existe uma chance infinitamente maior de ser candidata ao Senado", afirmou Helena, garantindo que se não houver mudança no cenário vai abrir mão da disputa nacional.

Embora afirme que a decisão será regional, Heloísa Helena deu a entender que existe pressão de colegas por sua candidatura à Presidência - em alguns casos, segundo ela, por interesses pessoais.

"Eu disse no encontro nacional [ocorrido no mês passado] que quem vai decidir a candidatura é o povo de Alagoas. Mas foi um congresso tenso, onde existem pessoas maravilhosas - que gostariam mesmo de me ver candidata à Presidência -, mas onde tem gente que quer minha candidatura por puro oportunismo, para ter o coeficiente eleitoral e se eleger em seu Estado. Não adianta esconder, existem pessoas maravilhosas e oportunistas em todo canto. Por isso decidimos adiar a decisão para a conferência eleitoral de janeiro", disse a presidente do PSOL.

Falando em tom de candidata, Heloísa Helena garantiu que, se for eleita ao Senado, fará um mandato "infinitamente melhor" que o primeiro. "Se tiver a honra de voltar, farei mais pelo aprendizado que tive nesse tempo afastada", destacou.

A ex-senadora disse ainda que, pessoalmente, tem interesse em um cargo executivo. "Claro que gostaria de ser presidente da República, de ser governadora de Alagoas, de ser prefeita de Maceió. É legítimo que as pessoas queiram estar nos executivos, diretamente fazendo a obra, dialogando com as pessoas, ao invés de apresentar projeto e muitas vezes se submeter à vigarice ou à má vontade de liberar o dinheiro que você mandou", afirmou.

Antes de ser senadora (1999-2006), Heloísa passou pela experiência do Executivo como vice-prefeita de Maceió (1993-94), na gestão de Ronaldo Lessa (à época no PSB), e foi deputada estadual (1995-98). Nos anos de 2007 e 2008 ficou longe dos mandatos e voltou a ensinar no curso de enfermagem da Ufal (Universidade Federal de Alagoas).

Heloísa Helena ainda explicou que não concorreu à reeleição ao Senado em 2006 por apostar em um projeto socialista nacional. "Alagoas entendeu, embora muita gente não tenha aceitado, que abri mão da candidatura para estruturar o que entendo ser uma ferramenta da esquerda socialista democrática que não se vendeu e não se rendeu."

Aliança com o PV ainda distante
Cada vez mais próxima de desistir da disputa nacional, Heloísa Helena ainda não comenta uma possível aliança do PSOL com a candidata do PV à Presidência, Marina Silva. Embora classifique a ex-ministra como "uma política de esquerda maravilhosa" e não descarte uma aliança, a ex-senadora ressalta que a definição do PSOL sobre o cenário nacional só ocorrerá no início de 2010, quando o partido vai definir se terá candidato próprio.

Sobre coligações em Alagoas para 2010, Heloísa Helena descartou reeditar a aliança vitoriosa com ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), como aconteceu em 1998. Na ocasião, Lessa foi eleito para o Executivo e Heloísa, para o Senado. "Não tem como. A política do PDT de alianças é diferente", afirmou.

Na entrevista, Heloísa Helena aproveitou para afirmar que teve "roubados" recursos inclusos no orçamento federal. "Se a parte canalha da bancada de Alagoas e do governo federal não tivesse tirado a minha emenda de milhões de reais, teríamos em Maceió outro hospital público. Mas, como não sou da turma da propina com empreiteiros, o dinheiro nunca veio. A emenda foi publicada no Diário Oficial e por que o dinheiro não veio? Roubaram! Aqui ou em Brasília", finalizou.

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