Líder do governo no Senado defende internet livre nas eleições

Piero Locatelli
Do Uol Notícias
Em Brasília

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é contrário à proposta de restringir o livre uso da internet nas eleições.

"É irreal e inexequível querer cercear a internet", disse o líder. Segundo Jucá, essa é a opinião pessoal dele e o governo não deve interferir diretamente no assunto.

O desejo de Jucá vai contra a proposta dos relatores da reforma eleitoral, Marco Maciel (DEM-PE) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Eles mudaram as regras sobre a internet no relatório final, mas mantiveram a maioria das restrições. A proposta dos senadores será votada no plenário do Senado nesta quarta-feira (9).

Pela nova proposta, os sites terão de seguir as mesmas regras de debate aplicadas à TV e Rádio. Ou seja, terão de chamar ao menos dois terços dos candidatos e todos integrantes de partidos que tem ao menos 10 deputados federais.

Sites também estarão proibidos de "dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação, sem motivo jornalístico que justifique". Ou seja, estarão impedidos de declarar apoio a um ou outro candidato.

O direito de resposta também estará previsto em qualquer blog de pessoa física, no Twitter e em redes sociais, como Orkut e Facebook.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), líder do partido no Senado, possui uma emenda que vai ao encontro do desejo de Jucá, mantendo a liberdade de expressão na rede. A proposta de Mercadante também é apoiada por Arthur Virgilio (PSDB-AM), líder tucano na Casa.

Apesar do desejo dos seus líderes, o PT e o PSDB não fecharam uma posição de suas bancadas sobre o assunto.

Caso a proposta seja votada, as novas regras não entram imediatamente em vigor. Para ter validade nas eleições de 2010, o projeto precisa ser aprovado no plenário do Senado, voltar à Câmara dos Deputados, ser sancionado pelo presidente Lula e ser publicado no Diário Oficial até o dia 3 de outubro - exatamente um ano antes da próxima eleição.

Proposta é resposta ao TSE
A proposta surgiu na Câmara depois do fracasso da tentativa de aprovar uma reforma mais profunda e estrutural. A chamada "reforma política" estabeleceria o voto em lista fechada por partidos políticos e o financiamento público de campanha.

Azeredo e Maciel deixaram claro que pretendem diminuir a atuação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Nos últimos anos, o tribunal regulamentou o uso da internet nas eleições, pois não havia legislação sobre assunto.

O tribunal tomou decisões impopulares entre os congressistas nos últimos anos, como o entendimento de que o mandato pertence ao partido e não ao detentor do cargo.

Fichas sujas e doações ocultas
A proposta mantém as candidaturas de políticos com pendências na Justiça e as doações indiretas e ocultas aos candidatos.

Os candidatos com contas rejeitadas ou que respondam a processo que não foi julgado em última instância poderão concorrer às eleições.

As doações poderão ser feitas aos partidos e repassadas aos candidatos pelos respectivos comitês. Dessa forma, o eleitor fica impedido de saber quem doou ao candidato e a Justiça Eleitoral terá dificuldades de descobrir as eventuais irregularidades.

A prática já é legal. Por meio do novo texto, entretanto, a possibilidade será detalhada e o TSE estará impedido de impor qualquer restrição nesse sentido.

Campanha
A propaganda eleitoral será permitida em blogs, sites, comunidades e outros veículos de comunicação do próprio candidato.

A propaganda paga em outros sites só será permitida aos candidatos à Presidência. Candidatos a outros cargos estarão proibidos de fazer esse tipo de propaganda.

A proposta acaba ainda com a exigência de sites de políticos no domínio $escape.getQuote().can.br". Para não sofrerem sanções, os candidatos terão de registrar seus sites em outros domínios no TSE.

A campanha na internet só será permitida a partir do dia 5 de julho de cada ano, a exemplo do que acontece em outros veículos.

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