"Nós tínhamos ele no rol dos aliados", diz presidente de entidade gay sobre Puccinelli

Guilherme Balza
Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Folha Imagem
É um viado fumador de maconha. Eu o estupraria em praça pública

André Pucinelli, governador do MS

Após declarar que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, "é um viado fumador de maconha", o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), poderá perder o apoio de uma das principais entidades defensoras dos direitos da comunidade gay, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

Em nota encaminhada ao governador, a associação afirmou que se surpreendeu com a afirmação de Puccinelli, já que ele "foi um dos apenas três governadores que prestigiaram as Conferências Estaduais LGBT em 2008" e por "seu governo apoiar o Centro de Referência LGBT de Campo Grande, bem como a Associação das Travestis e Transexuais do Mato Grosso do Sul".

"Nós tínhamos ele no rol dos aliados. Nós queremos é que ele se explique, que faça uma retratação pública, e defina se é nosso aliado ou não", diz Tony Reis, presidente da ABGLT, em entrevista por telefone ao UOL Notícias.

Em nota, ainda ontem, o governador tentou se retratar: "Quaisquer outros desdobramentos devem ser entendidos como inapropriados e, na hipótese de terem gerado ofensa ao ministro, o governador do Estado de Mato Grosso do Sul apresenta seu pedido de desculpas", disse.

Alan Marques/Folha Imagem - 10.set.2009
Ele deve tratar com mais carinho o homossexualismo que existe dentro dele próprio

Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente

A declaração ofensiva do governador foi feita ontem (23), em reunião com empresários. No momento das ofensas, Puccinelli criticava Minc com relação ao Zoneamento Agroecológico da Cana, que proíbe o uso da Bacia do Alto Paraguai para a formação de usinas e plantações. O governador afirmou na mesma reunião que não pretende utilizar o entorno do Pantanal para indústria, e sim para lavouras de cana, de forma que áreas erodidas sejam recuperadas.

No mesmo evento, Puccinelli, em tom de brincadeira, perguntou se Minc participaria da Meia-Maratona Internacional do Pantanal, marcada para 11 de outubro. "Eu o alcançaria e estupraria em praça pública", afirmou.

Para Reis, as declarações "carregam um sentimento que está subjacente nas pessoas". "Nas escolas, 40% dos alunos quando querem menosprezar um colega utiliza palavras como 'viado', 'sapatão'. Isso precisa acabar".

"Isso mostra como está enraizado o preconceito. O Puccinelli utilizou um dos termos mais pejorativos para se referir ao homossexual. Ficamos assustados", afirma Eduardo Santarelo, coordenador do programa Brasil sem Homofobia, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos do governo federal.

Minc respondeu, sugerindo que Puccinelli faça "uma análise mais profunda da declaração dele sobre o estupro em praça pública e examinar e tratar com mais carinho o homossexualismo que existe dentro dele próprio e talvez aceitar isso com mais razoabilidade".

O ministro ainda acrescentou: "O Freud [Sigmund Freud, psicanalista] explica que muitas pessoas que têm o homossexualismo enrustido tentam matar o homossexual que há dentro dele próprio", disse. "Eu sou um defensor conhecido dos direitos dos homossexuais contra todos os preconceitos."

Para Tony Reis, o ministro também se exaltou. "O Minc é dos nossos maiores aliados, mas ele ficou nervoso e exagerou um pouquinho na declaração", disse.



*Com informações de Maurício Savarese, do UOL Notícias, em São Paulo, e da Agência Brasil

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