Presidente do Banco Central deve anunciar hoje filiação ao PMDB

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

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O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, deve filiar-se ao PMDB em seu Estado natal, Goiás, nesta quarta-feira (30). A expectativa é que Meirelles concorra ao governo estadual ou a uma cadeira no Senado em 2010.

Atualmente, o nome mais competitivo do PMDB para o governo é o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, que está disposto a abrir mão da disputa se Meirelles viabilizar sua candidatura.

  • Reuters

    Meirelles deve ficar no BC até março

A provável filiação ocorre no dia seguinte da reunião entre Meirelles e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que avalizou a decisão. Antes do PMDB - partido que integra a base governista no Congresso -, Meirelles cogitou a filiação em outros partidos da base como PP, PR e PTB.

Na terça-feira, o presidente do Banco Central afirmou que permanecerá à frente da instituição até março de 2010. "No momento, estou 100% no BC e essa é uma decisão que tem implicações políticas, caso eu considere a carreira política no futuro", afirmou Meirelles.

De economista a político
Meirelles é presidente do Banco Central desde o início do primeiro mandato do presidente Lula. Meirelles, no entanto, não foi a primeira opção do então recém-eleito presidente, em 2002.

Pelo menos três outros economistas foram convidados para comandar o Banco Central, num período de volatilidade do mercado financeiro. Durante a campanha eleitoral de 2002, o dólar encostou nos R$ 4, causando pressão inflacionária. O mercado "precificava" a candidatura Lula, que buscava alguém para acalmar o sistema financeiro.

O petista encontrou como solução Meirelles, eleito deputado federal pelo PSDB de Goiás naquele ano. Foi o deputado federal mais bem votado do Estado de Goiás, com mais de 183 mil votos.

De estranho no ninho a estrela do governo Lula

Inicialmente visto com reticências por membros do novo governo, especialmente entre os petistas, Henrique Meirelles ganhou um grande destaque pela maneira como conduziu o BC no enfrentamento da crise financeira global, a maior em décadas.

Por integrar o tucanato, a indicação de Meirelles sofreu resistência do PT - e especialmente da ala mais esquerdista do partido. Para assumir o novo posto, Meirelles renunciou ao mandato na Câmara e se desfiliou do PSDB.

Meirelles nasceu em Anápolis (57 km de Goiânia) e é engenheiro. Ele foi o primeiro brasileiro a dirigir um banco norte-americano, o BankBoston - instituição em que fez carreira desde 1974 até agosto de 2002, quando lançou sua candidatura a deputado.

Gestão no BC
Inicialmente visto com reticências por membros do novo governo, Meirelles ganhou destaque pela maneira como conduziu o BC no enfrentamento da crise financeira global.

Quando Meirelles assumiu, a economia brasileira enfrentava uma crise de confiança por incertezas relacionadas à mudança de governo. A taxa Selic estava em 25% ao ano e as expectativas do mercado apontavam inflação acima de 11% em 2003.

O BC elevou a Selic até 26,5% no primeiro semestre de 2003, mas isso não impediu que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - a inflação oficial - fechasse o ano em 9,3%, acima da meta ajustada de 8,5%.

O Banco Central adotou, desde setembro de 2008, uma série de medidas para que o Brasil enfrentasse a crise financeira. Nesse período, a Selic caiu para o menor patamar já registrado, de 8,75% ao ano.

Com compras de dólar no mercado à vista, o BC fez com que as reservas internacionais atingissem recorde acima de US$ 220 bilhões. As políticas macroeconômicas do governo, entre as quais o controle da inflação perseguido pelo BC, foram citadas por agências de risco que deram ao Brasil em 2009 o cobiçado grau de investimento.

* Com informações da Folha de S.Paulo, Folha Online e Reuters

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