Após tumulto, sessão para votar arquivamento do impeachment de Yeda é suspensa

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

Um tumulto suspendeu a sessão da comissão especial que votaria o relatório sobre o impeachment da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), no final da tarde desta quinta-feira (8), na Assembleia Legislativa gaúcha. O relatório da deputada Zilá Breitenbach (PSDB), encaminhado na segunda-feira (5) à comissão, recomenda o arquivamento do processo.

O tumulto começou quando deputados da oposição tentaram impedir a sessão alegando que o deputado Carlos Gomes, que mudou do PPS para o PRB, não poderia mais fazer parte da comissão. O PRB não tem representação na assembleia e, com a saída de Gomes, o PPS ficou sem representante - o que é proibido pelo regimento interno, que estipula que todos os partidos com representação devem participar das comissões.

O tumulto começou quando o presidente da comissão, deputado Pedro Westphalen (PP), ignorou os argumentos de deputados e seguiu com sessão. Quando Zilá Breitenbach (PSDB) começou a ler seu relatório, a mesa foi cercada e deputados começaram a gritar e provocar empurra-empurra.

A sessão, que começou às 18h06, foi suspensa às 18h38 e a procuradoria da assembleia está sendo consultada para resolver o impasse.

Impeachment
Representantes do Fórum dos Servidores Públicos Estaduais, que formulou o pedido de impeachment, prometem pressionar os deputados pela admissibilidade do pedido.

Os servidores decidiram fazer pressão sobre os parlamentares depois que a oposição apresentou denúncia, na quarta-feira (7), de que o governo pagou compra de material para reforma e decoração da casa particular da governadora, em Porto Alegre. A denúncia é baseada em empenhos de despesas autorizadas pela Casa Civil.

"Não há condições políticas para se votar o relatório", defendeu o deputado Elvino Bohn Gass, líder da bancada do PT na Assembleia. "Esse relatório foi produzido antes das informações de compra de material com dinheiro público terem se tornados públicas", justificou.

O relator da CPI da Corrupção, que investiga o envolvimento de membros do governo em fraudes que somam cerca de R$ 44 milhões envolvendo o Detran gaúcho, Coffy Rodrigues (PSDB) defendeu a legalidade da compra. "Teve até mesmo autorização do Tribunal de Contas do Estado", disse. O advogado de Yeda Crusius, Fábio Medina Osório, confirmou o parecer. "Os bens serão devolvidos ao final do mandato", disse.

Outro lado
No final da noite, o governo do Estado emitiu nota oficial confirmando as aquisições e justificando que se trata de um procedimento legal. "É totalmente legal a aquisição de bens e serviços necessários à habitabilidade do local onde o governador reside", diz a nota. O texto, entretanto, não cita nenhuma lei em que a compra poderia ter sido sustentada.

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