"Governo não financia o MST", diz ministro do Desenvolvimento Agrário

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

O ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) negou nesta terça-feira (13) que o governo federal financie movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Ele também condenou o que considera uma criminalização dos movimentos sociais que ganhou força depois que integrantes do MST destruíram laranjais de uma fazenda invadida no interior de São Paulo.

"Não sou contra investigação. Recurso público é sagrado. Mas sou radicalmente contra esse ambiente de criminalização dos movimentos sociais que vem crescendo nos últimos dias e que precisa ser combatido a favor da democracia", disse.

O ministro afirmou ainda que condena a ação do MST na fazenda do interior paulista e classificou a destruição das plantações de "grotesca" e "injustificável". Mas ressaltou que o episódio não pode ser usado para levantar acusações sobre repasses irregulares de dinheiro públicos ao movimento. "O MST não é financiado pelo governo federal. Todos os estudos que aparecem aqui ou acolá são desmentidos", falou.

"Uma coisa são as ações do MST que eu condeno. A outra coisa é a insistência de que o governo repassa recursos de forma inadequada a movimentos sociais. Isso não é verdadeiro. Isso é uma falácia", acrescentou.


Durante audiência pública no Senado Federal, Cassel negou que os R$ 115 milhões repassados por sua pasta para entidades do campo tenham financiado instituições laranjas que repassam o dinheiro ao MST. Esta acusação é feita pela oposição, que pediu informações ao ministério sobre o montante.

"Dos R$ 115 milhões, R$ 12 milhões forma repassados para Rondônia. Não me consta que o governador Ivo Cassol seja filiado ao MST. Outros R$ 23,8 milhões foram para o Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) do Rio Grande do Sul. Também não me consta que a governadora Yeda Crusius seja entusiasta do MST e tenha colocado o seu Estado a trabalho do MST", disse o ministro.

Cassel citou ainda R$ 26 milhões que teriam sido repassados a entidades ligadas ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). "Também não acredito que o BID tenha ligação com o MST", falou.

O ministro disse que outros levantamentos que apontariam a existência do suposto financiamento público ao MST citam a Cáritas, rede da igreja católica de atuação social. "Vamos começar a discriminar as igrejas agora? Isso não é razoável".

Isso seria resultado, de acordo com o ministro, de um ambiente de desequilíbrio e insensatez sobre o tema. "Estamos avançando para um terreno do desequilíbrio em que as informações não se confirmam. Estou reivindicando um ambiente de equilíbrio", disse.

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