Ministro do Desenvolvimento Agrário nega repasses irregulares ao MST

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

O ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) negou nesta terça-feira (13), em audiência pública no Senado Federal, que sua pasta faça repasses irregulares a entidades ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Segundo ele, os repasses foram realizados a instituições sem ligação com o movimento, o que "desmonta" a tentativa da oposição de apontar entidades 'laranjas' como recebedoras de recursos públicos para posterior repasse ao MST. "Esse tema aparece às vezes de forma absolutamente torta", reclamou.

"Nenhum órgão é mais fiscalizado do que a gente. Quem tem que dizer se a entidade 'A' não pode conveniar com o governo federal é o Ministério Público, o Poder Judiciário, o Tribunal de Contas da União. Sempre que eu sou notificado que uma entidade não pode conveniar, eu excluo do cadastro".

O ministro negou o repasse de R$ 115 milhões do governo federal a entidades do campo, nos últimos cinco anos. O montante já constava de um ofício encaminhado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) à Câmara dos Deputados, na última semana.
  • Wilson Dias/Abr

    O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, participa de audiência no Senado


O documento foi uma resposta a um pedido de informações encaminhado pelo líder do DEM na Casa, Ronaldo Caiado (GO), no início de abril. O deputado afirma que o dinheiro público sai por entidades 'laranjas' para financiar o movimento.

"Dos R$ 115 milhões, R$ 12 milhões forma repassados para Rondônia. Não me consta que o governador Ivo Cassol seja filiado ao MST. Outros R$ 23,8 milhões foram para o Emater, do Rio Grande do Sul. Também não me consta que a governadora Yeda Crusius seja entusiasta do MST e tenha colocado o seu Estado a trabalho do MST", disse o ministro.

Cassel citou ainda R$ 26 milhões que teriam sido repassados a entidades ligadas ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). "Também não acredito que o BID tenha ligação com o MST".

A oposição recolhe assinaturas tanto na Câmara como no Senado para uma nova tentativa de criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar os repasses de dinheiro público ao MST. A primeira tentativa fracassou depois que parlamentares da base aliada retiraram suas assinaturas do requerimento.

A nova tentativa ganhou força depois que integrantes do movimento destruíram plantações de laranja em uma fazenda no interior de São Paulo, na semana passada.

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