Yeda diz que se sente "livre" e ataca a oposição "feroz e ativa"

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

Junto de todos os secretários de Estado e sem conseguir conter o nervosismo - ela chegou a perder uma página do discurso durante a leitura - , a governadora Yeda Crusius (PSDB) disse nesta quarta-feira (21) que passou pelo "período de teste" provocado pela oposição e que a decisão da Assembleia Legislativa de arquivar o pedido de impeachment contra ela, na sessão da terça-feira (20), representou "um divisor de águas" para o governo.

"É o encerramento de um período muito difícil para nós e para a sociedade. Foi como um período de teste, com acusações injustas ao longo dos últimos meses em que fui atacada, inclusive com violência, por uma oposição contínua, feroz e ativa", disse a governadora em entrevista coletiva convocada pela sua assessoria.

Segundo a governadora, a oposição não deixou de fora sequer a sua família. "Pedi que poupassem minha filha e meus netos, mas jamais desisti", disse. Yeda acusou "o PT e seus aliados" de tentar impedi-la de governar.

"A oposição radical e seus sócios conseguiram lançar dúvidas sobre a honradez da governadora, e esclarecer isso leva tempo. Precisei de muita briga para colocar a casa em ordem. Sofri em silêncio. Mas, agora, posso apresentar os atestados da Justiça e da Assembleia. Eles valem mais do que qualquer palavra", discursou.

A entrevista foi convocada para comemorar a decisão da assembleia de encerrar a análise do processo de impeachment, pedido pelo Fórum dos Servidores Públicos Estaduais, e também a exclusão da governadora da ação por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal contra oito réus ligados ao governo gaúcho. O clima antes do encontro com a imprensa era de euforia.

A governadora leu um discurso de quatro páginas e respondeu a apenas seis perguntas, sorteadas entre os jornalistas credenciados. No discurso, listou vários acertos de seu governo que, segundo ela, teriam motivado a oposição a atacá-la sistematicamente.

Entre os benefícios de sua gestão, Yeda citou o pagamento das dívidas do Estado, as mudanças administrativas que resultaram numa despesa de custeio 30% menor, a retomada dos precatórios e o pagamento em dia dos salários dos servidores. Ela anunciou que, a partir de agora, vai "andar" pelo Rio Grande do Sul. "Me sinto livre para isso agora", afirmou.

No discurso, ela admitiu ter cometido dois erros políticos durante os quase três anos de governo. O primeiro deles foi ter escolhido o democrata Paulo Afonso Feijó para ser seu vice-governador. Segundo Yeda, o comportamento de Feijó - que faz oposição ao governo desde o primeiro dia de mandato - é pessoal e não representa a tradição política do DEM. "Peço desculpas ao povo gaúcho por esse erro", disse.

Yeda admitiu que também errou ao comprar uma casa logo depois da eleição de 2006, antes mesmo de tomar posse no cargo. "Mesmo que a compra tenha sido feita de modo legal e transparente, a classe política é sempre suspeita sobre tudo o que faz", disse. Ela admitiu que não avaliou politicamente as consequências da compra.

Mesmo assim, a governadora defendeu a operação de compra ao dizer que o Palácio Piratini, sede do governo estadual, não reúne condições de habitação. "Aqui não pode, aqui não dá. Onde é que eu ia morar?", questionou. "É meu único patrimônio e eu não vou vendê-la, ainda mais nessa nova etapa de minha vida pessoal", disse, sem explicar a que fase estava se referindo. Extra-oficialmente, a governadora e o marido Carlos Crusius estão separados.

Yeda também defendeu a compra de objetos de decoração e reforma, pelo Executivo, para "vestir as várias casas oficiais" do Estado, criticadas pela oposição e investigadas pelo Ministério Público de Contas. "Como nós vivemos num ambiente de corte, qualquer fotografia sempre ganha espaço", criticou a governadora. Além do Palácio Piratini, o governo mantém um palácio de inverno na cidade de Canela, na serra gaúcha, e uma residência oficial no Parque Assis Brasil, sede da Expointer - exposição internacional de animais que se realiza todos os anos no Rio Grande do Sul.

Perguntada sobre seu projeto político, Yeda disse que vai definir se é ou não candidata à reeleição apenas em 2010. E revelou que não teme ser deixada de lado pelo PSDB nacional em troca de um apoio do PMDB gaúcho à candidatura do governador de São Paulo, José Serra, à presidência da República. "Eu leio os sinais dos astros [de que Serra busca composição com o PMDB gaúcho] de outra forma. Posso garantir que já tenho o apoio dele", disse.

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