Relatórios que inocentam dois deputados na "farra das passagens" são aprovados

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

A comissão de sindicância criada pela Câmara dos Deputados para investigar a participação de parlamentares na venda de cotas de passagens aéreas aprovou nesta quarta-feira (4) os relatórios que livram dois deputados das acusações. Contudo, o corregedor da Câmara, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), afirmou que outros parlamentares ainda podem ser investigados pela comissão.


Os relatores designados para apurar as acusações contra os deputados Paulo Roberto (PTB-RS) e Eugênio Rabelo (PP-CE) afirmaram não ter encontrado indícios para recomendar a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

Mas no caso do deputado Paulo Roberto, o relatório recomenda a abertura de processo por quebra de decoro por conta de outro problema, que não está relacionado a "farra das passagens", e sim a indícios de contratação irregulares de servidores.

O chefe de gabinete de Paulo Roberto, Luiz Gustavo Nogueira, mesmo afastado do cargo, teria continuado a exercer suas funções. Outros dois funcionários incluídos na folha de pagamento não davam expediente na Câmara.

Estes dois funcionários seriam filhos de Nogueira. Eles receberiam salários de R$ 8 mil e R$ 3 mil e repassariam parte dos vencimentos ao gabinete.

"O trabalho não é conclusivo. Não se pode dizer que ele quebrou o decoro, mas existem indícios que precisam ser investigados pelo Conselho de Ética", disse ACM Neto.

Os relatórios serão encaminhados à Mesa Diretora da Casa nesta sexta-feira. Caberá aos integrantes da Mesa decidir se encaminhará o caso ao Conselho de Ética ou não. O relator do caso de Paulo Roberto foi o deputado Marcelo Ortiz (PV-SP). Coube a Mendes Ribeiro (PMDB-RS) investigar a denúncia contra Rabelo.

Casos
O deputado Paulo Roberto passou a ser investigado a partir da denúncia de que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, viajou com passagens compradas de agentes de viagens que teriam usado bilhetes obtidos por meio de créditos de passagens do parlamentar. Luiz Gustavo Nogueira havia sido apontado como o servidor que repassava os créditos dos gabinetes para as agências de viagem.

O deputado Eugênio Rabelo pediu investigações sobre o fato de suas cotas estarem sendo desviadas para pessoas que ele desconhecia.

Outros parlamentares supostamente envolvidos no esquema das passagens aéreas ainda podem ser investigados pela comissão de sindicância. De acordo com o corregedor, uma série de diligências está em curso e podem trazer desdobramentos.

"Solicitei aditamento da comissão para iniciar outras investigações", disse ACM Neto. Ele também se mostrou confiante que a Mesa Diretora acatará os relatórios já concluídos, lembrando que alguns dos integrantes da comissão de sindicância também fazem parte da Mesa.

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