Em Roma, Lula cobra países desenvolvidos no combate à fome e critica subsídios agrícolas

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Lula cobra maior intervenção contra a fome


Em discurso no primeiro dia da Cúpula Mundial de Segurança Alimentar, em Roma, na Itália, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, cobrou dos países desenvolvidos medidas efetivas no combate à fome no mundo e mais uma vez criticou medidas protecionistas adotadas por nações ricas.

"É fundamental que os países desenvolvidos cumpram os compromissos assumidos e aumentem os níveis da assistência ao desenvolvimento. O sistema multilateral de comércio precisa livrar-se dos vergonhosos subsídios agrícolas dos países ricos. Eles sabotam a incipiente agricultura dos países mais pobres, cancelam suas esperanças de fazer dela uma ponte para o desenvolvimento", afirmou Lula.

O presidente também criticou as imposições feitas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e Banco Mundial aos países que tomam empréstimos. "É preciso virar a página dos modelos impostos de fora. Não faz sentido que o FMI e o Banco Mundial imponham ajustes estruturais que inviabilizem as políticas públicas de estímulo à agricultura dos países mais pobres", disse.

"Não teremos êxito no combate à fome se não mudarmos radicalmente os padrões de cooperação internacional", acrescentou o presidente, que ainda defendeu a transferência "sem condicionalidades" de tecnologia de ponta entre países para a agricultura e o compartilhamento de políticas públicas de inclusão social.

Mais cedo, na abertura da cúpula, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf, defendeu o aumento brutal na produção de alimentos, sobretudo nos países emergentes, como forma de reduzir a fome.

Diouf disse que a produção mundial de alimentos precisa crescer 70% até 2050 para atender às futuras demandas da população e afirmou que entre os países emergentes o desafio é maior: "nesses países é preciso dobrar essa produção para atender a demanda".

Já Lula, em seu discurso, fez uma avaliação diferente de Diouf do cenário da fome no mundo, ao afirmar que a quantidade de alimentos produzidas hoje é "suficiente para alimentar toda a humanidade". "Não há carência de alimentos. Ninguém ignora que já produzimos o suficiente para alimentar, com sobras, toda a humanidade", declarou o presidente.

Lula ainda questionou "os líderes mundiais que, frente à ameaça de um colapso financeiro internacional, causado pela especulação irresponsável e pela omissão dos Estados na regulação e na fiscalização do sistema, não hesitaram em gastar centenas e centenas de bilhões de dólares para salvar os bancos falidos". "Com menos da metade desses recursos, seria possível erradicar a fome em todo o mundo", afirmou.

*Com informações da Agência Brasil

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