PSOL e PV marcam primeiro encontro para discutir programa de governo

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Atualizado às 11h54

Depois de semanas de discursos não-oficiais, PSOL e PV começam na próxima semana a discutir formalmente a possível aliança nacional dos partidos em 2010. A informação foi repassada pela presidente nacional do PSOL e vereadora de Maceió, Heloísa Helena, que defendeu abertamente a união das siglas em torno da candidatura de Marina Silva à Presidência da República.

"Marina é uma pessoa maravilhosa e, pelo perfil dela, é a única oportunidade para o país para discutir o desenvolvimento sustentável com responsabilidade social. Qualquer outro partido que venha com esse discurso soará como uma coisa hipócrita", declarou em entrevista exclusiva ao UOL Notícias.

Segundo Helena, a partir desse primeiro encontro - que acontecerá na próxima terça-feira, às 15h, em Brasília - será criada uma comissão entre os partidos para discutir o programa de governo proposto pelos dois partidos. "Será o primeiro encontro oficial, porque eu informalmente converso sempre com Marina, que é minha amiga. Vamos avaliar os pontos convergentes dos nossos programas. É importante analisar as propostas, mas a definição [do PSOL, sobre a aliança] só deve acontecer na convenção, no início do próximo ano", adiantou.

Embora defenda o apoio a Marina, a ex-senadora adiantou que o PSOL não fará exigências para indicar o vice numa possível chapa. "Defendo até que não indiquemos o vice, para simbolicamente mostrarmos ao Brasil que o interesse do PSOL não está pautado na matemática eleitoreira. Nossa decisão tem que ser tomada com base no programa de governo. Nada mais", afirmou.

Mas a defesa da presidente do PSOL não é garantia de apoio ao PV. Heloisa admitiu que encontra dificuldades no partido para emplacar o apoio à candidatura de Marina. Ela cita o atual distanciamento político entre PV e PSOL em alguns Estados, a exemplo do que acontece em Alagoas, e a aproximação de partidos que hoje compõem a base do governo em torno de Marina como possíveis barreiras.

"Hoje a maioria do diretório nacional tem a ideia do PSOL ter uma candidatura própria. Mas é a base, na convenção, quem vai decidir. Até lá vamos discutir. Se tivermos a tristeza de não apoiarmos a companheira Marina, e formos partir para uma candidatura própria, vou defender os nomes de Milton Temer e Martiniano Cavalcante para a disputa", adiantou.

Helena voltou a declarar que sua meta é disputar o Senado em 2010, e assegura que a candidatura em Alagoas é uma questão de honra. "A eleição para o Senado em Alagoas será uma 'carnificina'. Tem candidato que venderia a própria mãe para se eleger. Eu não posso me omitir, pois por onde passo aqui, as pessoas me pedem para ser candidata ao Senado. E aviso: caso seja eleita senadora mais uma vez, será uma das maiores demonstrações de liberdade que o meu povo vai dar a esse país", salientou.

Entre os pré-candidatos à disputa em Alagoas estão os senadores Renan Calheiros (PMDB) e João Tenório (PSDB), o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) e o deputado federal Benedito de Lira (PP).

Antes de confirmar a candidatura, Heloísa Helena terá que passar pela Comissão de Ética da Câmara de Maceió, onde responde a processo por possível quebra de decoro parlamentar. Em junho, Helena chamou a colega Tereza Nelma (PSB) de "porca trapaceira" e "ladra de prótese infantil". "Temer, eu só temo a Deus. Mas eu tenho gigantes preocupações do que pode acontecer em Alagoas. Mas prefiro não acreditar que em Alagoas um parlamentar pode roubar e matar que não perde o mandato, mas se chamar uma vereadora de porca é cassada", questionou.

Esta semana, um grupo político ligado à ex-senadora se manifestou publicamente para denunciar um possível esquema para que a Câmara decida por sua cassação e impeça assim sua candidatura ao Senado Federal. O relator do processo, vereador Galba Novaes (PRB), negou qualquer pressão de "caciques políticos" para dar um parecer a favor da cassação. Não há data para apresentação do relatório final.

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