"Pacificado", PT tem consenso sobre alianças e Dilma candidata, diz Dutra

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Favorito para se eleger presidente do PT no próximo domingo (22), o ex-presidente da Petrobras e ex-senador por Sergipe José Eduardo Dutra diz que se vencer terá vida mais fácil que seus antecessores em dois temas que "não são nada fáceis de resolver, mas que o partido já resolveu": arquitetar uma política de alianças que contemple a atual base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e definir a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Palácio do Planalto.

Dutra é candidato de Lula a presidir o PT

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    Candidato à presidência, José Eduardo Dutra abraça ex-presidente do partido José Genoino e atual ocupante do cargo, Ricardo Berzoini

Preferido de Lula para comandar a legenda durante as eleições de 2010, Dutra é ligado à maior tendência interna do partido, a Construindo Um Novo Brasil, mas tem trânsito com as demais. Caso não saia vitorioso das urnas já neste domingo, é o favorito para vencer a disputa no segundo turno, em dezembro, e assumir em fevereiro do ano eleitoral o cargo ocupado por duas vezes pelo deputado Ricardo Berzoini (SP). Hoje o PT tem 1,35 milhão de filiados e os que estiverem quites com suas responsabilidades partidárias estão aptos a votar.

Seus adversários na disputa pela presidência do PT representam correntes mais à esquerda: os deputados José Eduardo Cardozo (Mensagem ao Partido e Democracia Socialista), Geraldo Magela (Movimento PT), e Iriny Lopes (Articulação de Esquerda e Militância Socialista), além de Serge Goulart (Esquerda Marxista) e Markus Sokol (O Trabalho). Mas Dutra considera que os tempos petistas são diferentes dos da crise do mensalão (2005) e da saída do grupo que fundou o PSOL.

Nesta eleição presidencial temos algo que não tínhamos nas outras: um projeto a apresentar. Em 2002 apresentávamos algo intangível, a esperança. Agora também, mas temos um projeto para mostrar: comparar nossos oito anos com os oito do projeto dos tucanos e do FHC

"De todas as eleições internas de que me lembro esta é a mais tranquila. O partido hoje está mais pacificado e o acirramento que existe está localizado nos Estados, onde as alianças ainda não estão fechadas porque estamos dando prioridade à eleição da Dilma", afirmou Dutra em entrevista ao UOL Notícias. "Hoje o partido vive uma fase de convergência muito grande em relação a temas que eram tabu, como política de alianças e a definição pela candidatura da ministra Dilma. Definir tudo isso não é pouca coisa, sendo que ainda falta tanto tempo para a eleição."

Geólogo e ex-sindicalista, Dutra, 52, defende desta vez que o PT faça uma campanha que mostre "mais do que esperança", em referência à trajetória vitoriosa de Lula em 2002, que tinha como um dos seus slogans a frase "A esperança vai vencer o medo".

"Nesta eleição temos algo que não tínhamos nas outras: um projeto a apresentar. Em 2002 apresentávamos algo intangível, a esperança. Agora vamos continuar colocando isso, sim, porque a esperança é inerente. Mas temos um projeto para mostrar que é comparar os nossos oito anos com os oito do projeto anterior comandado pelos tucanos e por Fernando Henrique Cardoso. A estratégia é essa", disse.

Candidaturas nos Estados

Com cinco governadores - Acre, Pará, Piauí, Sergipe e Bahia - o PT tende a apresentar candidatos não apenas do próprio partido, mas da base aliada nacional, afirmou Dutra. "Candidatura estadual não pode ser um fetiche. Tem estados onde o PT lança candidato desde 1982 e nunca venceu. O critério é articular uma aliança semelhante à nacional."

Apesar disso, esse carioca que fez carreira política em Sergipe disse que levará em conta, se eleito, a tradição política de alguns Estados. "Eu sei que Pernambuco e no Rio Grande do Sul o PT não vai andar com o PMDB. Assim como acredito que há um processo de conversa cujo desfecho desconhecemos em colégios importantes, como Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Pará. Mas tendência é afunilar em torno de um pré-candidato que saia para vencer", afirmou.

Prioridade é eleger Dilma, diz Dutra

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    As alianças estaduais e os candidatos terão de esperar, diz o candidato a presidente do PT

Na Bahia, o governador petista Jaques Wagner deve enfrentar o ministro peemedebista Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) nas urnas. Em Minas, o ministro Hélio Costa (Comunicações) pode ter como adversário um entre dois petistas: o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) ou o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. No Rio de Janeiro o governador Sérgio Cabral (PMDB) enfrenta resistência do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT) para se renovar seu mandato. No Pará, a governadora petista Ana Júlia Carepa é ameaçada pelo deputado e ex-governador peemdebista Jader Barbalho.

"Não é um processo de imposição. Você não pode empurrar goela abaixo de nenhum deles", comentou o candidato à presidência do PT. O mesmo vale, segundo ele, para a candidatura ao Palácio do Planalto do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que nas mais recentes pesquisas do instituto Datafolha aparece tecnicamente empatado com Dilma na segunda posição no cenário mais provável. Ambos ficam atrás do governador de São Paulo, José Serra.

"Respeito a posição do Ciro, que pode ser candidato ao que quiser neste país. Ele acha que é melhor haver mais candidatos da base do governo e união no segundo turno. Mas eu entendo é a de uma candidatura apenas da base do governo", comentou.

Para vencer já neste domingo, Dutra precisa atingir 50% mais um voto.

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