Mensaleiros devem voltar a Diretório Nacional do PT, mas distantes de Dilma

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Pela primeira vez desde 2005, envolvidos no escândalo do mensalão como o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha devem ficar entre os 81 membros do Diretório Nacional, que serve como foro mais amplo de discussões do partido. Apesar disso, petistas vêem pouca chance de eles integrarem a Executiva, que lida com questões políticas do dia-a-dia, para não atrair noticiário negativo para a pré-candidata do partido ao Palácio do Planalto, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Dirceu, Genoino, João Paulo, o deputado José Mentor e o ex-deputado Josias Gomes, todos réus na ação que trata do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), integram a chapa da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), que elegeu o ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra para suceder Ricardo Berzoini no comando do partido. Até esta quarta-feira, quando 85% dos votos tinham sido apurados, o grupo contava com cerca de 55% de apoio interno na disputa com outras sete chapas.

A composição do Diretório Nacional do PT é proporcional à votação obtida pelas chapas. A instância é composta pelo presidente do partido, líderes na Câmara e no Senado e representantes indicados pelas chapas, vindos de diferentes Estados. Já a Executiva, formada por 21 membros, depende de composições entre as correntes, trabalha com questões cotidianas do partido e se reúne com maior frequência. Assim como o presidente, os membros do Diretório e da Executiva têm mandato até 2011.

Procurados, os petistas citados não foram encontrados para comentar o assunto. O presidente e o presidente-eleito do PT afirmaram que todos os membros que disputaram as eleições "estão aptos a ocuparem qualquer cargo". Para Berzoini, a entrada deles na Executiva depende "da articulação das diferentes forças, em um processo que é longo e que mal acabou de começar".

Cálculo político
Ex-ministro da Casa Civil e importante articulador do PT, Dirceu já declarou que não aceitaria cargos de direção no partido antes mesmo de ter seu mandato cassado, em dezembro de 2005. Aliados do homem que foi o principal articulador do CNB, originalmente chamado de Campo Majoritário, insistem para que ele assuma um cargo na Executiva do partido, mas ele resiste. O mesmo raciocínio valeria para João Paulo e Mentor, próximos de Dirceu.

Candidato de Lula, Dutra é eleito no PT

  • Folha Imagem

    Candidato à presidência, José Eduardo Dutra abraça ex-presidente do partido José Genoino e atual ocupante do cargo, Ricardo Berzoini

"Ele pode ajudar na campanha como militante sem ter cargo diretivo. O Diretório Nacional pode ser o bastante, para que o Dirceu participe mais ativamente da discussão sem ter as dificuldades do cotidiano partidário para cuidar", disse um interlocutor do petista que preferiu não se identificar. "Não há como dizer que ele e os outros todos vão descartar, até porque têm todo direito se quiserem e as negociações para montagem da Executiva mal começaram. Mas a tendência não parece ser essa."

Outro petista diz que os envolvidos no escândalo do mensalão e outros que atraíram noticiário negativo durante a crise política de 2005 sinalizaram que preferem ficar fora da Executiva para que os adversários não os utilizem para atacar Dilma.

São eles a ex-deputada Ângela Guadagnin, protagonista da "dança da pizza" ao comemorar a absolvição de um colega, José Nobre Guimarães, que teve um assessor preso por levar dólares na cueca e é irmão de Genoino, e Monica Valente, mulher do ex-tesoureiro Delúbio Soares, apontado como intermediário do esquema de corrupção.

"Eles têm direito se quiserem se ele, mas acho que vão fazer uma avaliação política sobre isso e vão atender à prioridade do PT que é eleger a próxima presidente", afirmou. "Não existe necessidade de reabilitação deles no PT. Eles continuam importantes, assim como o (ex-ministro da Fazenda, Antonio) Palocci. São referências de militância petista. O cálculo é mais político, de saber se é conveniente no ano eleitoral, ou não."

Candidato derrotado nas eleições petistas, José Eduardo Cardozo, da corrente Mensagem ao Partido, repete que os envolvidos nos escândalos têm direito de pleitear os cargos que quiserem, mas evita fazer julgamento sobre se é adequado que eles ocupem cargos na Executiva no período que inclui as próximas eleições presidenciais.

"Não me sinto confortável falando sobre integrantes que não são da minha chapa. A chapa vencedora indicará os nomes que quiser e não há como fazer restrição. Inclusive nosso novo código de ética disciplina a matéria e não permite juízo desabonador sobre qualquer membro do partido", afirmou ele, hoje secretário-geral do partido.

As negociações para composição da Executiva Nacional do PT devem ir até fevereiro, mesmo mês em que assume o novo Diretório Nacional. Berzoini é pressionado a ceder a presidência do partido a Dutra até o fim deste ano para acelerar as negociações de alianças políticas para as eleições presidenciais, mas o mandatário resiste à ideia.

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