Na Bahia, PMDB terá de pedir para voltar à aliança

Do UOL Notícias
Em Brasília

Para o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), a aliança regional com o PMDB no seu Estado só será possível se a iniciativa partir dos próprios peemedebistas. A declaração praticamente elimina a possibilidade de reaproximação entre os dois partidos em solo baiano, onde estão rompidos desde agosto.

Em entrevista exclusiva ao jornalista Fernando Rodrigues (clique aqui para segui-lo no Twitter ), colunista do UOL Notícias e da "Folha de S.Paulo", o governador baiano disse que o desejo de acabar com a aliança que o elegeu em 2006 partiu do PMDB. Um novo convite não será feito pelo PT do Estado.



"Não será por meu convite. Eu convidei a primeira vez e ele [o PMDB] resolveu sair do governo", disse o governador. "Quanto mais o tempo passa, mais difícil fica".

Sem a aliança, Wagner deverá enfrentar, entre outros adversários, o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) nas eleições do próximo ano ao governo do Estado.

"Quem criou problema foi o PMDB local que resolveu ir contra a vontade do governador e do presidente", diz Wagner. "O ministro Geddel resolveu que a hora era dele."

Carlismo acabou
Em 2006, Wagner foi eleito após 16 anos de comando de políticos ligados a Antônio Carlos Magalhães no governo do Estado. Segundo o governador, ACM não teve um substituto após sua morte em 2007 e o "carlismo" não existe mais.

"Com a ausência física do senador, ele [o carlismo] já acabou", diz Wagner.

O governador diz que a redução do espaço da Bahia no noticiário nacional desde a saída dos carlistas do poder não se deve à redução da importância do Estado. "ACM era extremamente polêmico, criava muitos fatos políticos. Meu estilo é muito diferente. Sou muito mais discreto, muito menos barulhento", diz o governador, nascido no Rio de Janeiro.

Na próxima eleição, Wagner deverá ter como principal adversário Paulo Souto -ex-governador, filiado ao DEM e ligado ao grupo político de ACM (leia aqui pesquisas sobre a disputa na Bahia e em outros Estados). Wagner acredita que a disputa será descentralizada entre vários candidatos. Ele não quis emitir opinião sobre se o racha entre PMDB e PT favorecerá Souto.

"A política baiana ganhou a complexidade que tem nos Estados do Brasil. Não é mais aquele jogo a favor ou contra quem é do DEM e do PFL", diz Wagner.

Mensalão não foi golpe
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, no dia 11 de novembro, que o escândalo do mensalão foi uma tentativa de golpe da oposição contra o seu governo. Wagner discorda da avaliação do presidente. Na época da denúncia, o governador era ministro das Relações Institucionais e o responsável por intermediar as relações entre o Congresso e o Planalto.
"Não acho que teve um golpe, na medida em que teve o jogo dentro da democracia", diz Wagner. "Alguns dos nossos erraram, foi um fato objetivo que veio a público. [...] Ficou claro que o PT era um partido de homens e mulheres. Não era um partido dos anjos".

Um dos fundadores do PT, Wagner disse que não há problemas no fato de a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata à Presidência apoiada por Lula, não ser oriunda dos quadros antigos do partido. Segundo ele, o presidente Lula não pode ser acusado de criar uma candidata à revelia do partido.

"Se o PT entrasse numa briga interna terrível, iriam acusá-lo do contrario", diz Wagner. "Se eu quisesse [ser candidato à Presidência], e fui muitas vezes estimulado para isso, teria uma prévia".

Prisões na Bahia
A Polícia Civil da Bahia prendeu 7 pessoas na última terça-feira (24) por causa de um suposto esquema de corrupção na área de transportes.

Entre os detidos está Antônio Lomanto Neto, que, por indicação do PMDB, ficou à frente por 32 meses da Agerba (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia).

Wagner disse que a prisão de Lomanto não tem conotação política. "Não acompanho nem fico monitorando investigação", disse.

Segundo o governador, a investigação começou há cerca de seis meses após empresários do setor suspeitaram de corrupção em contratos.

Brasil e Irã
Filho de judeus refugiados da Polônia, Wagner apoiou a iniciativa do presidente Lula receber o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. O iraniano nega a existência do holocausto e apóia o fim do Estado de Israel.

Segundo Wagner, a recepção de Ahmadinejad não significa apoio às suas posições. "Botar alguém num corner é transformar essa pessoa em bicho ou transformá-la em mais bicho do que ela já é. É melhor chamar para a mesa de negociação", disse Wagner.

O governador acredita que Ahmadinejad presta um "desserviço" à causa palestina. Wagner disse que deve embarcar junto com o presidente Lula ao Oriente Médio em março de 2010.

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