Presidente eleito do PT vê disputa "difícil" em 2010 sem Lula e quer comparação a FHC

Piero Locatelli
Do UOL Notícias
Em Brasília

O novo presidente do PT (Partido dos Trabalhadores), José Eduardo Dutra, afirmou nesta quarta-feira (25) que a eleição presidencial de 2010, a primeira sem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 20 anos, será "difícil", mas que o partido não tem preferência em enfrentar qualquer um dos possíveis candidatos do PSDB, o governador de São Paulo, José Serra, ou o de Minas Gerais, Aécio Neves.

Dutra: "Prioridade é o projeto nacional"



"Não cabe a nós fazer uma análise de quem é mais difícil enfrentar. Cabe ao PSDB escolher quem é o melhor candidato. Mas reconhecemos que vai ser uma eleição difícil, qualquer que seja o adversário", afirmou. "Para nós, o Serra e o Aécio têm um projeto neoliberal. Não há diferença de projeto, embora nós vejamos diferenças nas personalidades."

Sobre o nome de Dilma Rousseff (Casa Civil) à sucessão de Lula, Dutra afirmou preferir que a ministra seja a única candidata pela base aliada e que a eleição seja polarizada entre um candidato do governo e um da oposição. O foco principal da campanha, disse ele, deverá ser a seja a comparação dos oito anos de Fernando Henrique Cardoso com os de Luiz Inácio Lula da Silva.

Mensaleiros devem voltar a Diretório Nacional do PT

Pela primeira vez desde 2005, envolvidos no escândalo do mensalão como o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha devem ficar entre os 81 membros do Diretório Nacional, que serve como foro mais amplo de discussões do partido. Apesar disso, petistas vêem pouca chance de eles integrarem a Executiva, que lida com questões políticas do dia-a-dia, para não atrair noticiário negativo para a pré-candidata do partido ao Palácio do Planalto, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff


Já com relação ao deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), o presidente da sigla disse que o prefere como candidato ao governo do Estado de São Paulo, apoiado pelo PT. Bem colocado nas pesquisas, Ciro mostrou a intenção de ser candidato à Presidência diversas vezes. Na semana passada, também disse que apoiaria Aécio Neves caso ele fosse o candidato do PSDB.

"Confio plenamente na capacidade, na sagacidade política dos dirigentes do PT em São Paulo. Eu entendo que essa possibilidade do Ciro tem que ser analisada pelo conjunto dos partidos que são oposição em São Paulo e fazem parte da base do governo Lula", disse Dutra, para quem essa decisão não deve ser imposta pela Executiva Nacional.

Disputa
Dutra superou o deputado José Eduardo Cardozo (SP) e sucederá Ricardo Berzoini no comando da sigla do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cardozo afirmou que o resultado ficou dentro das suas expectativas e que o processo eleitoral foi tranquilo o bastante para que as correntes do PT estejam unidas em torno de Dilma em 2010.

"Avaliávamos que poderia haver segundo turno dependendo do quórum. Como o quórum foi alto, isso trouxe uma dificuldade natural para o nosso grupo", afirmou ele, atual secretário-geral do PT, ao UOL Notícias. "Nossa corrente nestas eleições se tornou a segunda força do partido e isso certamente será levado em conta na montagem do Diretório Nacional e da Executiva."

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A principal diferença entre os dois se deu em São Paulo, onde Dutra obteve 73,6% dos votos contra 12,2% de Cardozo. No Rio Grande do Sul, Estado onde o deputado paulista esperava vencer por ampla margem graças ao apoio do ministro da Justiça, Tarso Genro, Cardozo ficou com 46,5% e Dutra com 33,1%.

Histórico
Dutra é ligado à maior tendência interna do partido, a Construindo Um Novo Brasil (CNB), mas tem trânsito com as demais. A vitória na primeira votação, realizada no domingo passado, se deve principalmente à união com as correntes PT de Lutas e Massas e Novos Rumos. Na disputa anterior, em 2007, Berzoini enfrentou segundo turno contra Jilmar Tatto, da PT de Lutas e Massas.

Hoje o PT tem 1,35 milhão de filiados, e puderam votar aqueles que estavam quites com suas responsabilidades partidárias.

Geólogo e ex-sindicalista, Dutra, 52, defende o PT promova Dilma, ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata à Presidência, mostrando "algo mais do que esperança", em referência à trajetória vitoriosa de Lula em 2002, que tinha como um dos seus slogans a frase "A esperança vai vencer o medo".

Na chapa de Dutra para compor o Diretório Nacional petista - instância que promove discussões mais amplas e é composta por integrantes de todo o país - estão políticos envolvidos nas denúncias do mensalão em 2005, como o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha. A votação petista apontava que cerca de 60% dos 81 membros do diretório virão da chapa do ex-presidente da Petrobras.

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