Entenda as denúncias de corrupção no governo do Distrito Federal

Do UOL Notícias
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O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), é investigado pela Polícia Federal por envolvimento em um esquema de corrupção que contaminou toda a administração e a Câmara Legislativa de 2004 a 2006. Entenda o caso que ameaça o cargo da única gestão conquistada pelo partido nas urnas nas últimas eleições.

Como era o esquema
A operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, descobriu uma rede de corrupção envolvendo o governo do Distrito Federal e empresas fornecedoras que desde 2004 pagam dinheiro para obter vantagens. O esquema funcionou ao longo das gestões de Joaquim Roriz (então no PMDB e hoje no PSC) e na atual, de José Roberto Arruda (DEM). O dinheiro era usado para financiar campanhas eleitorais e pagar por apoio político na Câmara Legislativa.

Parte dos recursos dados pelas empresas, diz a PF, ficava também com o governador Arruda e com os seus assessores. Os envolvidos no esquema foram filmados por Durval Barbosa, ex-assessor de Arruda, que colaborou com a PF na investigação. Quando secretário de Relações Institucionais do governo, ele era responsável por monitorar o que depois chamou de "mensalão do DEM".

De acordo com a PF, o esquema repassou R$ 600 mil mensalmente a deputados e, de 2004 a 2006, R$ 56,5 milhões para campanhas eleitorais. A PF diz também que a partilha deixava 40% dos recursos ilegais com Arruda, 30% com o vice-governador Paulo Octávio - também do DEM e dono de uma construtora - e 30% com a base aliada.

Filmado recebendo pacotes com dinheiro, Arruda teria forjado recibos no valor de pelo menos R$ 50 mil para simular a origem dos recursos de caixa dois, diz Barbosa. O governador alegou que o dinheiro entregue a ele nas imagens, que seriam da campanha de 2006, serviu para comprar panetones e brindes de Natal para creches e asilos.

A PF, no entanto, acredita que a quantia teria vindo de contratos assinados por empresas privadas com a estatal de planejamento econômico, a Codeplan. Durante a campanha de 2006, Barbosa era presidente da estatal. Homem de confiança de Roriz, ele era responsável pelo sistema de informática do governo e promoveu vários contratos sem licitação considerados elevados pelo Ministério Público.

Na disputa eleitoral daquele ano, atuou como coordenador da campanha de Arruda, que mais tarde daria a ele a Secretaria de Relações Institucionais.

O que pode acontecer
A oposição ameaça com uma CPI na Câmara Legislativa, mas também aguarda posicionamento da Justiça. No caso de impedimento de Arruda, Octávio e Prudente, o governo poderia ser assumido pelo presidente do Tribunal de Justiça, Níveo Geraldo Gonçalves. Adversários derrotados por Arruda nas eleições de 2006, como a petista Arlete Sampaio, querem a anulação daquela votação.

Há ainda a possibilidade de, se Arruda, Octávio e Prudente deixarem os cargos, uma eleição indireta na Câmara Legislativa apontar um novo ocupante para o Palácio do Buriti. Seguindo o ordenamento jurídico, sem levar em conta os aspectos políticos, assumiria o 1º Vice-Presidente da Casa, deputado Cabo Patrício (PT). O presidente do PT-DF, Chico Vigilante, defende a posse do presidente do TJ no caso de renúncia dos dois mandatários.

Se deixarem os cargos, os políticos envolvidos passam a enfrentar a Justiça comum, e não terão seus inquéritos remetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF). Arruda nega as acusações e diz que não deixará o cargo apesar das pressões inclusive do seu partido.





Base aliada
  • PSDB, PPS, PDT e PSB já entregaram cargos no governo
  • PV estuda a possibilidade
  • Setores do PMDB estudam rompimento
  • Deputados do DEM aguardam decisão da Executiva sobre expulsão de Arruda

    Citados no inquérito da Polícia Federal
  • Governador José Roberto Arruda (DEM)
  • Vice-governador Paulo Octávio (DEM)
  • Ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa
  • Chefe da Casa Civil afastado, José Geraldo Maciel
  • Presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM)
  • Secretário de Saúde, Augusto Carvalho (PPS)
  • Presidente do PPS nacional, Roberto Freire
  • Presidente do PPS local, Fernando Antunes
  • Presidente do PSDB local, Márcio Machado
  • Deputados distritais Júnior Brunelli (PSC), Eurides Brito (PMDB),
  • Rogério Ulysses (PSB) e Pedro do Ovo (PRP)
  • Ex-deputado distrital Odilon Aires (PMDB)
  • Ex-administrador de Samambaia José Naves, presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do DF e ligado à ex-governadora Maria Lourdes Abadia (PSDB)
  • Presidente do Na Hora (programa de emissão rápida de documentos públicos), Luiz França, também ex-presidente do PMN local
  • Diretor da agência de comunicação do governo, Paulo Pestana, ligado ao DEM
  • Ex-secretário de Educação José Luiz Valente (PMDB)
  • Ex-chefe de gabinete Fábio Simão, ligado ao DEM
  • Ex-chefe de gabinete Domingos Lamoglia, ligado ao DEM
  • Ex-assessor de imprensa Omézio Pontes, ligado ao DEM
  • Dona da TBA, holding que representa a Microsoft, Cristina Boner
  • Dono dos Diários Associados, Álvaro Teixeira da Costa
  • Empresário José Celso Gontijo
  • Empresário Alcyr Collaço
  • Empresária Cristina Boner
  • Empresas Infoeducacional, Vertax, Adler e Linknet

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