DEM vai convocar executiva nacional do partido para decidir futuro de Arruda, dizem senadores

Claudia Andrade*
Do UOL Notícias
Em Brasília

Atualizado às 18h06

Comente as denúncias de corrupção no governo do DF


As principais lideranças do DEM se reuniram nesta segunda-feira (30) com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), para ouvir a versão dele sobre a denúncia de pagamento de propina a deputados da base aliada na Câmara Distrital. O dinheiro viria de empresas que prestam serviços ao governo do DF.

Ficou decidido que o presidente do partido, Rodrigo Maia (DEM-RJ) vai convocar a Executiva do partido para decidir sobre a expulsão ou não de Arruda da legenda. A informação é dos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Agripino Maia (DEM-RN).

"O governador expôs os argumentos dele, nós também expusemos nosso ponto de vista, mas, agora, o presidente [do DEM, Rodrigo Maia] deve convocar uma reunião da executiva para decidir o assunto", afirmou Demóstenes Torres.

Deputados distritais e aliados políticos do governador, alvos da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, foram filmados recebendo dinheiro e guardando maços de notas em bolsas e até dentro de meias.

De acordo com integrantes do partido, Arruda pode ser desfiliado. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, não participou da reunião, mas interlocutores do prefeito afirmam que ele influencia pela expulsão de Arruda do partido.

Os integrantes do DEM chegaram para o encontro na residência oficial do governador em Águas Claras - cidade no entorno de Brasília - por volta das 14h30. O encontro terminou por volta das 16h30.

Participaram ainda da reunião os deputados Ronaldo Caiado (GO) e ACM Neto (BA). O grupo veio de uma pré-reunião realizada na casa de Agripino na qual discutiram as recentes denúncias.

O senador Heráclito Fortes foi o único a falar com a imprensa e se limitou a dizer que os parlamentares estavam no local para ouvir as explicações de Arruda a respeito.

Apenas dois manifestantes apareceram para protestar: um dele carregava uma bandeja com panetones. Arruda alega que dinheiro recebido nas gravações seria uma contribuição legal de campanha eleitoral para a compra de panetones.

Arruda nega em nota oficial a participação no suposto esquema de pagamento de propina. Indignado com as acusações, Arruda afirmou que foi vítima de um "ato de torpe vilania".

Mas, a Polícia Federal tem uma gravação em que o ex-Secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, discute a divisão de dinheiro fraudulento. Na gravação, Arruda pergunta quanto Durval tem disponível e o ex-secretário fala que são R$ 420 mil para o governador distribuir como bem entender.

Enquanto isso, partidos políticos da base aliada começam a abandonar o barco do governador do Distrito Federal. A executiva do PPS e do PDT já determinaram que todos os filiados entreguem seus cargos no governo do DF.

Já o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, disse que os deputados tucanos devem deixar a base de Arruda. Ele disse que o PSDB "não pode participar de um governo que está envolvido em várias acusações e não pode esclarecê-las".

O objetivo dos tucanos é evitar que as denúncias de corrupção no Distrito Federal possam contaminar de alguma forma a costura da aliança nacional para as eleições presidenciais de 2010. Guerra acredita que esse é um problema circunscrito ao governo Arruda e à capital federal.

Já a bancada do PT ainda vai se reunir para decidir uma ação na Justiça que vai pedir o afastamento do governador José Roberto Arruda.

*Com informações de Maurício Savarese, do UOL Notícias em São Paulo, e da Agência Brasil

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