Presidente da Câmara Legislativa do DF diz que escondeu dinheiro nas meias "por segurança"

Piero Locatelli
Do UOL Notícias
Em Brasília

Atualizado às 17h54

Comente as denúncias de corrupção no governo do DF

Envolvido no escândalo do "mensalão do DEM", o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente (DEM), disse que escondeu dinheiro em suas meias "por segurança". Ele admitiu que recebeu dinheiro não contabilizado para sua campanha.

"Eu quero informar que em primeiro lugar eu fui vítima de chantagem. Segundo, que me foi oferecido ajuda em dinheiro para a campanha de 2006. Terceiro, eu recebi o dinheiro e coloquei o mesmo nas minhas vestimentas em função da minha segurança. Eu não uso pasta", disse o deputado na tarde desta segunda-feira (30) em entrevista coletiva.

Presidente da Câmara do Distrito Federal guarda dinheiro na meia


Ele não quis responder as perguntas dos jornalistas. "Eu não vou responder perguntas porque eu não tenho a cópia do processo." Prudente disse ainda que sobe à tribuna nessa semana para dar mais detalhes sobre o caso.

O deputado disse que não há motivos para ele sair do cargo, mas afirmou que a Mesa Diretora da Câmara Legislativa fará uma representação contra todos os deputados distritais citados no inquérito por quebra de decoro, inclusive ele próprio.

Um vídeo divulgado no final de semana mostra Prudente colocando dinheiro nos bolsos do seu terno e em suas meias, após receber maços de notas do ex-secretário de relações institucionais do Distrito Federal, Durval Barbosa.

Sem entrar em detalhes, Prudente falou que "essa doação não foi contabilizada". Ele não quis dizer se isso caracteriza crime, afirmando que esse é o papel da Justiça Eleitoral.

Prudente é suspeito de envolvimento no "mensalão do DEM", esquema de pagamento de propinas que envolve também o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), deputados distritais e secretários do governo distrital.

Os vídeos também mostram outros deputados recebendo dinheiro. São eles: a líder do governo na Câmara Legislativa, Eurides Brito (PMDB), Rubens César Brunelli Júnior (PSC) e Odilon Aires (PMDB). Além dos deputados também foram filmados o empresário Marcelo Carvalho, o sub-secretário de Justiça e Cidadania, Luz França, o ex-secretário de Planejamento, José Luiz Naves e o subsecretário de Recursos Humanos da Secretaria de Saúde, João Luiz.

O caso veio à tona na última sexta-feira (27), quando a Polícia Federal realizou mandados de busca e apreensão dentro da operação Caixa de Pandora na casa do governador e no gabinete de deputados -incluindo o de Prudente.

A única manifestação do governador a respeito do caso, até agora, foi a divulgação de nota oficial na qual rebate todas as acusações. O advogado de Arruda, José Gerardo Grossi, disse que o dinheiro era destinado à compra de panetones. O governador se reuniu com líderes do seu partido nesta tarde.

Nesta manhã, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) decidiu apresentar um pedido de impeachment contra o governador. Também o PSOL divulgou nota hoje informando que entrará amanhã com pedido de impeachment contra o governador. Já deputados do PT vão tentar protocolar um pedido de CPI para investigar o caso na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

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