Aécio diz não se sentir obrigado a compor chapa com Serra após denúncias que arranham o DEM

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte

Dizendo não ser da sua natureza ceder a pressões, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse nesta quarta-feira (2) não se sentir obrigado a se tornar vice em uma chapa presidencial encabeçada pelo colega de partido José Serra depois que vieram à tona as denúncias contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), um dos nomes que eram cogitados para a vice.

Investigado pela Polícia Federal, Arruda é acusado de envolvimento no esquema batizado de mensalão do DEM: o suposto pagamento de propina a parlamentares do Distrito Federal e integrantes do governo de Arruda com recursos captados em empresas privadas.

A denúncia arranhou a imagem do DEM, aliado histórico do PSDB e sempre lembrado pelos tucanos para integrar aliança do partido nas eleições do ano que vem. Alguns tucanos que defendem a chapa puro-sangue do PSDB enxergaram no episódio reforço para que o mineiro reveja a sua posição contrária à dobradinha com Serra.

"Eu não vejo essa relação direta, sinceramente, não vejo. Poderia haver outra análise também (desse episódio). Você poderia dizer que talvez esse episódio fortaleça a ala tucana que quer ampliar alianças, que quer trazer outros parceiros. Isso me parece até mais natural", disse após evento no Palácio da Liberdade, sede oficial do governo mineiro.

Ele voltou a afirmar que está à disposição do partido, no entanto, a condição seria a de ser protagonista da chapa tucana para concorrer à sucessão do presidente Lula. O mineiro também voltou a estabelecer o fim do mês como a data na qual aguarda a decisão do partido sobre o tema.

Desgaste político
O governador tucano avaliou que o desgaste político, que porventura venha a ser imposto à oposição, só será mensurado em 2010, ano eleitoral. "Obviamente, não há por que desconhecer isso, algum desgaste existe, nós vamos ter que contabilizá-los no momento eleitoral", disse.

Questionado sobre uma eventual exploração eleitoral das denúncias pelo PT, Aécio ironizou. "Eu não vejo o PT com muita autoridade para falar em mensalão. Eu não sei até se (o PT) terá interesse em trazer esse tema (para 2010)", disse.

Apesar de defender que o governador Arruda tenha direito a ampla defesa, Aécio Neves classificou como "chocantes" as imagens nas quais aparecem parlamentares, empresários e o próprio Arruda recebendo maços de dinheiro. Aécio avaliou que as acusações "são extremamente graves". O tucano disse entender que cabe somente ao DEM "dar um desfecho adequado a esse processo".

Questionado ainda sobre reiterados elogios feitos anteriormente ao governador Arruda, o mineiro fez questão de ressaltar a aprovação dos brasilienses à administração do democrata.

"O governador Arruda, do ponto de vista da gestão, faz um governo que é reconhecido pela população de Brasília como um governo extremamente eficiente", ressaltou.

Arruda cancela ida a Belo Horizonte
Arruda participaria de evento na capital mineira, nesta quinta-feira (3). Ele seria o orador oficial de cerimônia de entrega de medalhas feitas pela ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais) a personalidades que se destacaram durante o ano. Segundo a assessoria do órgão, o governador cancelou a sua ida ao local, onde seria um dos homenageados ao receber a medalha no "Grau Grande Mérito", a mais alta comenda reservada a governadores. Segundo a assessoria da assembleia, ele foi agraciado em 2007 e, como não pôde comparecer naquele ano, receberia a honraria amanhã.

Ainda de acordo com o órgão, apesar das denúncias que pesam sobre ele, a comenda não será retirada.




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