DEM escolhe novo relator para processo contra Arruda

Do UOL Notícias
Em São Paulo e Brasília

O DEM nomeou na noite desta terça-feira (1º) um novo relator para o processo disciplinar que irá definir a expulsão ou não do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), acusado de envolvimento em um esquema de propina. Quem assume o posto é o ex-deputado e presidente do Diretório regional de Alagoas, José Thomaz Nonô. Ele substitui o deputado federal José Carlos Machado (SE), que deixou o cargo minutos depois do anúncio.

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"Já estive com o presidente Rodrigo Maia e disse a ele que não tenho condições técnicas para essa função. A pessoa que vai relatar isso tem que ter profundos conhecimentos jurídicos e eu não os tenho. Sou de formação cartesiana, sou engenheiro", disse Machado ao jornal "Folha de S.Paulo".

O presidente do DEM, Rodrigo Maia, confirmou a saída de Machado. "As pessoas têm dificuldade de julgar um colega", disse Maia ao UOL Notícias.

A Executiva Nacional do DEM decidiu na tarde desta terça-feira deixar a decisão sobre uma eventual expulsão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), para o dia 10 de dezembro.

Ao menos dez deputados (dois deles suplentes), assim como o governador Arruda e três secretários do Distrito Federal, são suspeitos de participar de pagamento de propinas. O esquema teria começado em 2002 e, além de servir ao enriquecimento pessoal de vários integrantes do governo, teria financiado à campanha eleitoral de Arruda para o governo do Distrito Federal.

As denúncias foram reveladas durante a operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, realizada na última sexta-feira (27). Imagens da ação mostram o governador e outros integrantes de sua gestão recebendo maços de dinheiro. Todos negam as acusações.

Racha no partido
Caiado e outros dois integrantes do partido, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), e Demóstenes Torres (GO), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, apresentaram uma petição a favor da expulsão sumária.

"Nós encaminhamos uma proposta e só nós defendemos essa proposta. Os outros defenderam uma proposta alternativa, qual seja de o processo ser julgado no dia 10 [de dezembro] após defesa prévia, elaboração do relatório e votação", disse Agripino. Mais tarde no Twitter, foi mais incisivo: "Decisão final deve ser expulsão de Arruda".

Presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), classificou de "chocantes" as imagens sobre esquema de propina no DF. Questionado sobre as implicações da crise no DEM para as eleições do próximo ano, já que o partido tem aliança com o PSDB para compor o palanque da oposição, Maia disse que os dois assuntos não estão relacionados e defendeu a decisão tomada nesta terça. "Ao contrário de outros partidos, o DEM vai se posicionar (sobre a crise)", afirmou.

"É uma crise política. As imagens são chocantes e é importante que o partido assuma a sua responsabilidade", afirmou Rodrigo Maia. "As denúncias são muito graves, todos estão muito preocupados. É um momento muito difícil para o governador e vamos julgar no dia 10."

Ao ser questionado sobre o motivo de o partido não ter "radicalizado" e decidido por uma expulsão sumária de Arruda, Maia defendeu a proposta que foi aprovada na reunião desta terça. "Dar oito dias para ele se defender não é radicalizar? Eu acho que é radicalizar."

Ele também negou que tenha faltado coragem ao DEM para decidir pela expulsão. "Não faltou coragem. Faltou para outros partidos, que tiveram seus problemas e nunca decidiram. Que outro partido teria coragem de julgar os seus que tiveram problemas? Esse é o primeiro que abre um procedimento e está marcando uma data para julgar."



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