Entrevista coletiva concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após encontro com o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko

Em Kiev (Ucrânia)

Jornalista: O senhor disse que as imagens não falam por si só. Aí, a gente queria perguntar ao senhor, que é uma pessoa que tem uma liderança muito forte no país, se o senhor não acha que, com a sua popularidade, o seu poder de influência sobre a população, ao senhor dizer isso, o senhor não está abrindo um caminho para banalizar esse tipo de problema, que é a corrupção no país, e que atingiu todos os partidos? E o brasileiro está achando que a imagem falou bastante.
Presidente: Não, não, veja uma coisa, vamos ser francos numa coisa. Eu, na verdade, nem fui condescendente e nem incriminei. Eu apenas disse que tem um fato que está em apuração, é importante que termine a apuração. A Polícia Federal está investigando, o Ministério Público está investigando. A Justiça é que autorizou a fazer a quebra do sigilo e a fazer a investigação. Ora, eu não posso, como Presidente da República, condenar alguém com a mesma facilidade que você pode em uma pergunta ou em uma entrevista. Ou seja, eu tenho que esperar o resultado para poder falar. A minha tese é de que as pessoas que fizeram as coisas erradas terão que pagar. Agora, tem um processo, e isso não é uma vontade do presidente Lula. Isso é de toda a legislação brasileira. Isso vale para mim e vale para qualquer um dos 190 milhões de brasileiros.

Jornalista: O senhor viu as imagens, presidente?
Presidente:
Eu vi algumas imagens. Acho que é grave, mas tudo isso agora vai ser um processo, tudo isso vai ter um processo. Vai passar por um Tribunal, por outro Tribunal, até que tenha o juízo final. Não sei o que o Parlamento distrital vai fazer. E a mim e, eu diria, a qualquer outro governante, nós temos que esperar a decisão da Justiça. E aí vai depender muito do que a polícia colocar no inquérito. É o inquérito policial que vai... O Poder Judiciário é que vai tomar a decisão.

Jornalista: O senhor acha que isso é mais um golpe para a classe política, presidente?
Presidente:
Eu acho que é deplorável. Eu acho que é deplorável para a classe política, porque nós já mandamos duas propostas de reforma política para o Congresso Nacional e as pessoas não se importam em votar, quando seria muito mais fácil a gente votar a reforma política, moralizar o funcionamento dos partidos políticos, moralizar o processo eleitoral. Tem algum... Se fosse o Jânio Quadros, diria que tem um inimigo oculto que não deixa os projetos serem votados no Congresso Nacional. Todo mundo já percebeu que precisa ter reforma política, todo mundo. Não tem um ser vivo que não entenda que tem que ter reforma política, mas quando chega no Congresso não votam. É que nem reforma tributária: todo mundo no Brasil quer reforma tributária. Nós fizemos um projeto, pactuamos com governadores, pactuamos com empresários, pactuamos com os líderes, pactuamos com os sindicalistas, e quando o projeto entra dentro do Congresso, tem alguma força invisível que não deixa andar.

Jornalista: E não é porque os deputados têm medo? (incompreensível) legisladores estão envolvidos, presidente?
Presidente:
Possivelmente seja, possivelmente seja. Veja, eu acho que isso merece uma outra discussão profunda, que eu penso que os partidos políticos deveriam estar defendendo nesse momento, depois das eleições de 2010, uma Constituinte específica para fazer uma legislação eleitoral para o Brasil. Eu acho que alguma coisa tinha que acontecer. Não é possível continuar do jeito que está.

Jornalista: Quem são essas forças ocultas, residente?
Presidente:
Ah, não me pergunte. Se fosse... se eu pudesse... se eu conhecesse, eu falaria, não ia dizer que era oculta. O que eu estou dizendo é o seguinte: é que todo mundo quer, mas não acontece. Faça uma pergunta para saber como todos os partidos são favoráveis à reforma política, mas ela não acontece. A reforma tributária, não acontece. Só eu já mandei dois projetos de reforma política para o Congresso Nacional. E enquanto não fizer reforma política, a gente vai ser pego de sobressalto, como disse (incompreensível).

Jornalista: Obrigado, presidente.

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