Temer atribui denúncias à disputa política; líder do PMDB diz que acusações são "levianas"

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Atualizado às 14h29

Escândalo: elite do PMDB é citada


O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), atribuiu à disputa política sua citação em denúncias que vieram à público nos últimos dias. Questionado nesta quinta-feira (3) se o motivo das acusações seria a aliança entre PMDB e PT para as eleições do ano que vem, não descartou a hipótese.

"Pode ser. Sem colocar a questão da vice, mas quando se fala nisso, é possível que seja. Mas não sei, não tenho exatamente as razões concretas dessa vilania", disse. Para o presidente da Câmara, há, "certamente", uma "indústria do dossiê" em ação. "E dossiê falso, o que é mais grave ainda."

Ele voltou a negar que tenha recebido dinheiro não declarado da empreiteira Camargo Côrrea e que tenha recebido propina no suposto esquema de corrupção do governo do Distrito Federal. Esta denúncia está em um diálogo gravado por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do DF, colaborador da PF na Operação Caixa de Pandora. Além de Temer, a gravação envolve outros integrantes da cúpula do PMDB.

Temer desqualifica denúncia de que teria recebido caixa 2 da Camargo Corrêa

O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), classificou de "infâmia" a denúncia de que ele teria recebido dinheiro não declarado da construtora Camargo Corrêa em 1998. Temer disse que a única contribuição que recebeu da empresa foi oficial: R$ 50 mil


A conversa com o empresário Alcyr Collaço cita o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e os deputados federais Eduardo Cunha (RJ) e Tadeu Filippelli (DF).

Temer disse que entrou com uma petição em São Paulo para ter acesso aos documentos que o relacional à empreiteira e com uma queixa crime em Brasília, contra o empresário Collaço, que teria citado o nome dos peemedebistas como supostos beneficiários do esquema.

"Eu já disse ontem a respeito da vilania desses atos. Hoje é dia de frieza e de tomar providências concretas, para revelar que não temos nenhum temor, nenhuma preocupação em relação a isso", disse Temer.

"Incabíveis e despropositadas"
Henrique Eduardo Alves divulgou nota em que classifica as denúncias de "incabíveis e despropositadas". "Estou indignado e perplexo com o conteúdo dos diálogos inverídicos, levianos e caluniosos. Vou tomar todas as providências jurídicas visando à reparação e, inclusive, ingressei com a primeira queixa crime, hoje, contra o responsável pela citação", diz a nota, referindo-se ao empresário.

O líder diz ainda que os diálogos são entre pessoas que ele não conhece e com as quais não tem "qualquer relação". O deputado afirma que poderá tomar ações cíveis e criminais até a próxima semana.

Os outros deputados do PMDB que teriam sido citados também reagiram contra as denúncias. Tadeu Filippelli disse que "não vai aceitar calado esse tipo de achaque". "Já solicitei aos meus advogados que tomem as medidas cabíveis para reparar os prejuízos que me foram impostos pelas falsas acusações".

Para ele, sua citação nas acusações é uma "irresponsabilidade". "A citação do meu nome em uma conversa de terceiros revela a irresponsabilidade daqueles que, movidos por interesses inconfessáveis, querem obter do meu partido, o PMDB, uma decisão açodada sobre esse momento de crise política do governo local".

Presidente do PMDB no DF, ele defende na nota uma decisão "tomada com serenidade" em relação à saída dos peemedebistas que ocupam funções estratégicas no governo Arruda. E lembra que a o assunto será debatido em reunião na próxima segunda-feira.

Desde o início da crise, PSDB, PDT, PPS, PSB e PV já anunciaram o abandono do governo Arruda.

O outro citado nas acusações de recebimento de propina, deputado Eduardo Cunha, também se disse "indignado" e deverá entrar com queixa crime contra as denúncias.



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