Manifestantes se organizam e passam o fim de semana na Câmara do DF

Piero LocatellI
Do UOL Notícias
Em Brasília

Comente as denúncias de corrupção no governo do DF

Sem a perspectiva de sair tão cedo do plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal, os manifestantes que invadiram o local na última quarta-feira (2) se organizaram para passar o tempo e não esvaziar a ocupação.

Documentários são exibidos e rodadas de palestras temáticas são realizadas. Na sexta-feira (4) o tema foi a especulação imobiliária, onde o vice-governador do Distrito Federal, o empreiteiro Paulo Octávio (DEM), foi criticado constantemente.

Sem lideranças formais, quatro comissões foram criadas para tratar de fins específicos - comunicação, logística, mobilização e segurança. Os resultados, ao menos até agora, são bons: nenhum dano posterior à invasão ocorreu ao local.

O custo dessa organização sem lideranças são as longas assembleias realizadas várias vezes ao dia onde tudo é votado. "A mídia burguesa saí ou fica?", "Saímos para ter sessão dos deputados?" e "Haverá horário de silêncio?" estão entre as dezenas de questões submetidas ao sufrágio dos manifestantes.

Ocupação começou na quarta-feira

  • Divulgação

    Cartaz de manifestantes acampados na Câmara Legislativa ironiza a defesa do governador José Roberto Arruda sobre o Mensalão do DEM



Estudantes
A maioria dos que ainda permanecem no local são estudantes que voltam às suas casas para tomar banho e trocar de roupa diariamente. Vários deles já participaram de outros atos semelhantes, como o que resultou na queda do reitor da UNB, Timothy Muholland, em abril do ano passado.

"Muita gente aqui participou da ocupação da UNB. Muita gente que está aqui ocupou a Funai e já participou de outros protestos", diz Diogo Ramalho, 25 anos, estudante de letras da universidade.

Inspirados na ocupação da UNB, eles querem ficar até a queda do governador do DF, José Roberto Arruda, e de Paulo Octávio. "Temos a disposição de ficar até a vitória, dure o quanto durar a ocupação", diz Diogo.

Se depender da atual postura de todos os lados, a ocupação ainda deve durar muito tempo. Os policiais legislativos circulam entre os manifestantes pacificamente e até assistem a palestras junto a eles.

Já o presidente da Câmara, Deputado Cabo Patrício (PT), não pretende pedir a reintegração de posse. Negociador, Patrício conseguiu que os manifestantes saíssem do plenário em duas ocasiões para fazer sessões legislativas. Na próxima terça-feira (8), o mesmo deve ser feito para a sessão que pode eleger o novo corregedor da Câmara.

Do lado de Arruda, os deputados da base governista não compareceram na última semana alegando falta de segurança para os trabalhos legislativos. Desta forma, o pedido para instalar uma CPI não teve assinaturas suficientes e os pedidos de impeachment não foram votados.
Apesar da falta de resultados palpáveis, os estudantes acreditam que a ocupação esteja dando resultados.

"Lógico que faz [diferença]. Até porque não tem outro jeito: a gente fica até a saída do Arruda", diz Caio Bruno, 20 anos, estudante de jornalismo da Universidade Católica de Brasília (UCB).


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos