Lula diz que quer mais saneamento básico para "tirar povo da merda"

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou um palavrão nesta quinta-feira (10) para descrever a situação dos mais pobres do Norte e do Nordeste que não têm acesso a saneamento básico devido a "muito tempo de Brasil mal gerenciado, privilegiando as regiões mais ricas". Depois, admitiu que seria criticado por isso, mas considerou mais importante fazer a mensagem chegar aos mais necessitados.

Lula diz que comentaristas dos grandes jornais falam mais palavrões que ele

"Eu não quero saber se o (prefeito de São Luís) João Castelo é do PSDB, se o outro é do PFL ou se é do PT. Eu quero saber se o povo está na merda e eu quero tirar o povo da merda que ele se encontra", disse Lula durante discurso em São Luís, no Maranhão, onde assinou contratos do programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida".

Em seguida, sob aplausos, o presidente previu que seria criticado e se antecipou: "Amanhã os comentaristas dos grandes jornais vão dizer que o Lula falou um palavrão. Mas eu tenho consciência de que eles falam mais palavrão do que eu todo dia e tenho consciência de como vive o povo pobre deste país", completou.

Em rara visita ao Estado, que graças a uma decisão judicial é hoje governado por sua aliada Roseana Sarney (PMDB), Lula ensaiou o discurso utilizado pelo PT em suas inserções no rádio e na TV nas últimas semanas, ao dizer que o país "encontrou seu caminho e o melhor jeito de governar". Na peça publicitária, a presidenciável e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, usa a mesma metáfora.

Ao falar sobre as descobertas de petróleo na camada do pré-sal, o presidente disse que o Brasil não entrarã na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). "Queremos exportar derivados de petróleo. Vamos exportar gasolina premium. Olha como é chique", comentou.

Os ministros Edison Lobão (Minas e Energia) e Márcio Fortes (Cidades) acompanharam Lula e Dilma na cerimônia. "Se não fosse eu ser do Nordeste, o Lobão ser do Nordeste, ia ter refinaria em Pernambuco, no Rio Grande do Norte, em São Luís?", questionou o presidente.

Lula concluiu o discurso se esforçando para não declarar apoio à candidatura presidencial de Dilma. "Pode escrever e anotar: não tem volta. Quem quer que ganhe as eleições está comprometido. Nenhum doutor vai poder fazer menos do que eu fiz. Eu sei quem vai fazer muito mais, quem tem competência e no momento certo vou dizer para vocês", disse, enquanto ouvia dezenas de pessoas gritarem o nome da ministra.

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