Quércia prevê reeleição no PMDB-SP apesar de "dissidência mínima"

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Candidatos para 2010?

  • Antonio Gaudério/Folha Imagem

    Tucano José Serra e Orestes Quércia têm discurso afinado para eleições. O primeiro quer a Presidência e o outro, o Senado

O presidente do PMDB-SP e ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, confia que conquistará no domingo (13) mais um mandato na direção estadual apesar da oposição do deputado Francisco Rossi, candidato próximo da cúpula nacional do partido que tem pré-acordo com o PT para a sucessão presidencial.

Quércia é aliado do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e do governador paulista, José Serra (PSDB), seu nome preferido para a disputa do Palácio do Planalto no ano que vem. Líderes peemedebistas na Câmara dos Deputados e no Senado têm pré-acordo com os petistas para eleger a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, favorita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para membros do partido, a entrada de Rossi na disputa pelo comando estadual tem pouco a ver com a vontade do ex-prefeito de Osasco de concorrer ao governo do Estado, mas sim com a disposição da direção nacional de atrapalhar Quércia - ainda que as chances de o ex-governador perder o comando da sigla sejam reduzidas.

"Francisco Rossi não está na nossa chapa porque não quis, mas todas as principais lideranças do PMDB no Estado ficam conosco", disse ao UOL Notícias o secretário do partido, Airton Sandoval, aliado de Quércia. "Conosco estão o presidente da Câmara, Michel Temer, o deputado Baleia Rossi, vários prefeitos. Não tem chance de não vencermos porque somos nós que queremos o partido unido."

Sandoval não negou que partidários de Quércia estejam tentando desidratar o grupo de Rossi, que até sexta-feira entregará os nomes dos integrantes de sua chapa para as eleições, em uma tentativa de não ver sua votação minguar na comparação com os cerca de 60% que elegeram o ex-governador para o comando. "Em política é tudo possível. Até o ex-prefeito, se quiser compor conosco, será bem-vindo."

Rossi nega que sua candidatura tenha vínculo com a disposição da maior parte do PMDB de fechar aliança com o PT e que se assim fosse Quércia não teria Temer, cotado para disputar a Vice-Presidência da República na provável combinação encabeçada por Dilma, em sua chapa para compor o diretório estadual do partido no Estado.

Pró-Serra
Sandoval diz que Quércia insistirá para que a base PMDB-SP seja ouvida na definição da aliança nacional e que o ex-governador não descarta uma candidatura própria do partido ao Palácio dos Bandeirantes. "Rossi não precisa vencer a disputa do diretório estadual para termos candidato próprio, porque já está claro que se tivermos candidato com condição no PMDB, a vaga é dessa pessoa", afirmou o secretário da sigla.

Cúpula quer acordo com PT

  • Lula Marques/Folha Imagem

    Renan Calheiros, Michel Temer e José Sarney estão próximos de Lula e têm pré-acordo para eleger Dilma. Quércia quer Serrra

Serra, que ainda disputa a indicação do PSDB para concorrer à Presidência com seu colega mineiro, Aécio Neves, se aproximou de Quércia nas eleições municipais de 2008 para reeleger seu aliado Kassab para a Prefeitura de São Paulo. O ex-governador acertou com o tucano que será candidato ao Senado em 2010 e já declarou preferência pelo tucano para a sucessão.

"A decisão nacional não está tomada. O que houve foi uma aproximação entre deputados e senadores do PMDB com o PT", disse Sandoval. "A base do partido ainda não foi ouvida e ainda temos, além da possibilidade de apoio a Serra ou Dilma, a candidatura própria do governador do Paraná, Roberto Requião. São Paulo tem importância nesse jogo e nossa opinião vai pesar", afirmou.

Apesar do pré-acordo entre PMDB e PT, os partidos têm problemas para montar palanque único para a candidatura de Dilma em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Pará.

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