Aliado de Serra, Quércia é reeleito presidente do PMDB em São Paulo

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizada às 20h04

Apesar da inesperada concorrência de última hora, o ex-governador Orestes Quércia foi reeleito neste domingo (13) presidente do PMDB em São Paulo, sinalizando que colocará a sigla no Estado ao lado da eventual candidatura de José Serra (PSDB) ao Palácio do Planalto. Ele venceu a disputa com o deputado federal Francisco Rossi por 88% a 12% --número que também lhe permite montar integralmente a Executiva paulista do partido.

Temer critica Lula por sugestão de lista tríplice do PMDB para vice de Dilma

Peemedebista mais cotado para ocupar o posto de vice na provável chapa presidencial encabeçada por Dilma Rousseff em 2010, Michel Temer criticou a sugestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o PMDB deveria fazer uma lista com três nomes aptos para acompanhar a petista. "Não foi uma fala feliz. Nós jamais iríamos dizer o que o PT deve fazer ou não fazer", disse



Entre os 750 peemdebistas com direito a voto, 670 participaram da votação na Assembleia Legislativa. Do lado de fora, o clima era de provocação entre partidários dos candidatos --os de Rossi, ex-prefeito de Osasco, eram mais numerosos. Do lado de dentro, a ampla maioria dos membros da convenção se manifestava apenas quando eram anunciadas as vitórias parciais da chapa "Unidade" sobre a "Candidatura Própria Já".

"Acabou sendo significativa essa vitória porque o barulho era grande", disse Quércia a jornalistas após a apuração. "O que houve desta vez é que veio de fora uma pressão, gente de fora do partido. Mas liderança não se constrói do dia para a noite, estou no partido há 46 anos." Rossi saiu antes da apuração sem dar declarações.

A disputa em São Paulo opunha um dos principais adversários da aliança nacional entre PMDB com o PT e o deputado que teve sua candidatura estimulada por petistas e adversários da aliança paulista com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o governador Serra, que ainda enfrenta disputa interna com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, para saber quem será o candidato à Presidência pelo PSDB.

"Em 2010, temos uma realidade em São Paulo que vocês conhecem. E queremos ter candidato à Presidência da República. Se isso ocorrer, vamos ter todo o empenho para ter candidato a governador também", afirmou o presidente do PMDB paulista, que mais cedo recebeu o governador do Paraná, Roberto Requião, que se ofereceu ao partido para tentar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Articulação
Questionado se acreditava que Rossi participou da eleição peemedebista incentivado pelo PT, que tem pré-acordo com o PMDB para compor chapa presidencial em 2010, Quércia respondeu: "Toda a imprensa noticiou isso e não vi nenhum desmentido".

Indicado para a Executiva estadual do PMDB na chapa de Quércia, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, também é cotado para ser candidato a vice na provável chapa encabeçada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, preferida de Lula para ocupar seu lugar no Palácio do Planalto a partir de 2011.

Para um interlocutor do deputado federal, a aproximação de Temer com o presidente do PMDB paulista é estratégica. "Se ele for candidato a vice o Quércia não vai pesar na mão contra a Dilma. Se não for, vai precisar do apoio aqui para ser presidente da Câmara no início do próximo mandato", disse.

Depois, ao comentar sobre possíveis candidatos ao governo do Estado, citou a si próprio e o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer. "O Rossi acho que não", declarou, em meio a risos dos partidários. O ex-prefeito de Osasco afirmava que aceitaria concorrer ao Palácio dos Bandeirantes no ano que vem, enquanto Quércia prefere estar ao lado de Serra na eleição nacional e do candidato do PSDB no Estado --ele próprio deve disputar uma das duas vagas no Senado.

Até a semana retrasada, a candidatura de Rossi era indefinida e só teve todos os integrantes confirmados na última sexta-feira, depois de pesado assédio do grupo de Quércia para esvaziar a postulação do ex-prefeito de Osasco para sacá-lo do poder no Estado. Entre seus principais incentivadores está o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, cujo reduto eleitoral é a mesma cidade.

Caso obtivesse mais de 20% dos votos, Rossi poderia indicar membros do Diretório Estadual em 2010, o que poderia interferir na autonomia que Quércia tem tido para determinar os rumos do PMDB de São Paulo. Mas isso não aconteceu.

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