Aécio não teria tempo para viabilizar seu nome nacionalmente, diz analista político

Guilherme Balza
Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em São Paulo

E agora, como fica a sucessão presidencial?


Atualizado às 16h59

Falta de tempo hábil para viabilizar seu nome em nível nacional, necessidade de se engajar na eleição em Minas Gerais e insatisfação com a demora do PSDB em definir seu candidato à sucessão presidencial. Para o analista político Fernando Abrúcio, esses três fatores foram determinantes para a decisão do governador de MG, Aécio Neves, desistir de disputar a eleição de 2010.

Cerca de um quinto dos eleitores brasileiros o conhecem. É muito menos do que a Dilma, Ciro e menos ainda do que o Serra

Fernando Abrúcio
Professor da PUC-SP
e FGV-SP

"Essa decisão ele já havia tomado há algum tempo. O Aécio precisava de uma decisão do partido para fazer uma campanha nacional. Ele jogou a tolha pois percebeu que a decisão do PSDB [sobre o candidato a presidente] ia se alongar e que portanto ele não teria tempo suficiente para fazer uma campanha com recall nacional. É muito pouco tempo pra ele viabilizar seu nome nacionalmente", avalia Abrúcio, professor da PUC (Pontifícia Universidade Católica) e FGV (Fundação Getúlio Vargas), ambas de São Paulo.

Na opinião do analista, Aécio está em desvantagem em relação aos outros pré-candidatos à presidência. "Cerca de um quinto dos eleitores brasileiros o conhecem. É muito menos do que a Dilma (Rousseff, do PT), Ciro (Gomes, do PSB) e menos ainda do que o Serra. Uma das grandes dificuldades no Brasil é conseguir um nome nacional", diz o professor.
  • Divulgação

    José Serra (esq.) e Aécio Neves disputavam a candidatura à Presidência da República do PSDB


Na opinião do analista, Aécio "cansou" da demora do PSDB. "Ele tem pedido uma definição já faz alguns meses. Se o partido tivesse realizado uma prévia ainda neste ano, os dois candidatos percorreriam o Brasil e o nome do Aécio ganharia projeção", afirma.

A desistência envolve seu cálculo pessoal sobre suas chances. No momento, a escolha dentro do partido são baseadas nas pesquisas

Antônio Lavareda
Sociólogo pernambucano filiado ao PSDB

Foco em Minas Gerais
Para Abrúcio, a desistência de Aécio foi motivada também pela preocupação do governador com sua base eleitoral em Minas. Seu vice, Antonio Anastasia (PSDB), deve ser o candidato tucano ao governo de MG no ano que vem. "O Aécio precisa se engajar na candidatura do vice. Ele tem condições de elegê-lo, mas não é um processo tão simples porque o Antonio Anastasia não é tão conhecido. Ele vai precisar fazer uma grande campanha", diz.

A necessidade de se focar no Estado, para Abrúcio, decorre do fato de Minas não ser ainda um território eleitoral completamente dominado pelos tucanos. "Em São Paulo o PSDB tem que fazer muita 'burrada' para perder. Em MG ainda não é assim", afirma.

Decisão não representa rompimento com Serra
A posição do governador de Minas Gerais não representa um "rompimento" com Serra, mas poderá trazer seqüelas à candidatura do paulista. "O Aécio está sendo cooperativo com o Serra, mas ele abandonou a candidatura porque precisa resolver o xadrez político local. Agora, essa decisão não significa que o Aécio não vai apoiar o Serra, isso é um exagero. Ele apoiará, dependendo da circunstância", avalia.

Essa decisão vai atrapalhar a estratégia de protelação que Serra criou para sua candidatura. O PSDB e o DEM vão pressionar para ele oficializar, afinal, agora é o único pré-candidato

José Álvaro Moisés
Professor de Ciência Política da USP

"Serra agora é o candidato à Presidência da República pelo PSDB. E será tratado como tal. E ele estava tentando se livrar dessa pecha", acrescenta Abrúcio.

José Álvaro Moisés, professor titular de Ciência Política da USP, declarou ao UOL Notícias que "a decisão vai atrapalhar a estratégia de protelação que Serra criou para sua candidatura. O PSDB e o DEM vão pressionar para ele oficializar, afinal, agora é o único pré-candidato".

Moisés acredita que por trás das razões expostas por Aécio para sua desistência, há outro objetivo do governador mineiro. "Ele fala em timing, afinal, o PSDB seguiu o interesse de Serra de atrasar a decisão. Mas acredito que Aécio quer se cacifar em 2010 para se lançar a candidato presidencial em uma eleição futura", analisa o cientista político.

Influência das pesquisas
Já para Antônio Lavareda, sociólogo pernambucano filiado ao PSDB, as pesquisas de opinião foram cruciais para a decisão de Aécio Neves. "A desistência envolve seu cálculo pessoal sobre suas chances. No momento, a escolha dentro do partido são baseadas nas pesquisas", afirmou o pós-graduado na Georgetown University (EUA) e diretor da empresa de consultoria político-estratégica MCI, de Recife, que atua em campanhas políticas eleitorais e na comunicação governamental.

A chapa Serra-Aécio é a bala de prata da oposição para derrotar o governo. Não vejo grandes chances se o PSDB repetir a articulação com o DEM

Humberto Dantas
Conselheiro na ONG Voto Consciente

Na avaliação do cientista político Humberto Dantas, que é conselheiro na ONG Voto Consciente, existe a possibilidade de Aécio ser o vice do Serra no ano que vem. "Nos bastidores do PSDB, já era esperado isso [a desistência]. Como é esperada uma chapa pura do partido, que não vai ser anunciada agora, porque não é o momento. A chapa Serra-Aécio é a bala de prata da oposição para derrotar o governo. Não vejo grandes chances se o PSDB repetir a articulação com o DEM", afirma.

Para Dantas, a dupla tucana teria força para concorrer com a popularidade do presidente Lula, principal credencial de Dilma Rousseff. "O candidato em 2010 é o Lula. A Dilma é um poste. Lula apontou para a cabeça dela como poderia ter apontado para Marina Silva", disse o cientista político.

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