"Ilustres desconhecidos", secretários-executivos assumem cargo de ministros candidatos

Keila Santana
Especial para o UOL Notícias
Em Brasília

A história se repete no último ano do mandato presidencial. Quando abril chegar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai sofrer um desfalque significativo no primeiro-escalão. Pelos menos 14 dos 37 ministros devem deixar seus gabinetes na Esplanada dos Ministérios em busca de um mandato.

Ministros pré-candidatos

Ministro Ministério
Alfredo Nascimento (PR) Transportes
Carlos Lupi (PDT) Trabalho
Carlos Minc (PT) Meio Ambiente
Dilma Rousseff (PT) Casa Civil
Edson Lobão (PMDB) Minas e Energia
Edson Santos (PT) Igualdade Racial
Geddel Vieira Lima (PMDB) Integração Nacional
Hélio Costa (PMDB) Comunicações
Henrique Meirelles (PMDB) Banco Central
José Pimentel (PT) Previdência
Orlando Silva (PC do B) Esporte
Patrus Ananias (PT) Desenvolvimento Social
Reinhold Stephanes (PMDB) Agricultura
Tarso Genro (PT) Justiça
Os ministros vão disputar eleições para cargos no Legislativo e nos Executivos estaduais. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, vai tentar um voo mais alto: é a pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto.
Outros seis ministros são possíveis candidatos a governador.

A expectativa é de que os cargos vagos de ministro fiquem nas mãos de técnicos e não de políticos. A ideia é que os secretários-executivos (ou "vice-ministros") se tornem titulares nos ministérios. Isso porque o presidente Lula já avisou que não quer problemas na gestão das pastas e avalia que o melhor é manter no controle pessoas que já estejam ligadas à rotina da Esplanada dos Ministérios.

A maior preocupação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é quanto ao substituto de Dilma. A pré-candidata do PT à sucessão presidencial deve entregar o comando da Casa Civil depois de fevereiro, após a oficialização da candidatura. De acordo com a Justiça Eleitoral, os ministros que pretendem disputar as eleições do ano que vem terão que deixar seus cargos até 3 de abril, prazo limite da desincompatibilização.

Para o posto de Dilma, o presidente Lula está dividido entre o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e as auxiliares mais próximas da ministra: a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, e a subchefe de Avaliação e Monitoramento, Miriam Belchior. Deve pesar na escolha do presidente a maior capacidade para tocar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em ano eleitoral.

Os planos para o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) ainda não estão definidos porque a intenção inicial dele era deixar o cargo para concorrer a um mandato de deputado federal. O presidente Lula teria pedido que Bernardo desistisse da cadeira na Câmara para auxiliar na coordenação da campanha da ministra Dilma.

Uma alternativa cogitada gira em torno do ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, recém filiado ao PT, que poderia ocupar o lugar da ministra Dilma Rousseff na Casa Civil.

Outra possível dor de cabeça para Lula pode ser a saída de Henrique Meirelles da presidência do Banco Central. Recém-filiado ao PMDB, Meirelles ainda não decidiu seu futuro político, mas estuda disputar o Senado ou o governo de Goiás. Meirelles é ainda cotado por alguns petistas - incluindo Lula - para compor a vice na chapa de Dilma.

A avaliação da cúpula do governo é de que o principal programa de investimentos do governo, o PAC, considerado a "meninas dos olhos" do presidente e da ministra Dilma, terá que deslanchar para dar fôlego à campanha petista.

As maiores debandadas no quadro de ministro devem partir do PT. Segundo interlocutores, nove dos 17 ministros petistas devem deixar os cargos para lançar a candidatura.

Atualmente, apenas seis ministros não possuem vínculo partidário oficial. Os demais são filiados a partidos políticos e estarão no palanque eleitoral como candidatos ou cabos eleitorais dos aliados.

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