Lula diz que empresários do setor alcooleiro precisam de seriedade

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Ao inaugurar um centro tecnológico para bioetanol em Campinas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira (22) os empresários do ramo alcooleiro que oscilam entre a produção de açúcar e a de biocombustível ao sabor dos preços no mercado internacional.

Lula fez os comentários diante de empreendedores do setor, pesquisadores e políticos, incluindo sua pré-candidata à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o governador de São Paulo, José Serra, provável adversário da petista nas eleições deste ano e líder nas pesquisas de intenção de voto até o fim do ano passado.

O presidente afirmou que o aumento dos preços do etanol em algumas partes do país não faz sentido e declarou que a justificativa dos empresários do ramo é de que as chuvas teriam atrapalhado mais da metade da colheita.

"Quero dizer aos empresários que não pode ser assim. O álcool quase acabou neste país porque não havia seriedade. Quando a gente tenta fazer do etanol um elemento da matriz energética, isso precisa ser levado a sério. Se dermos sinal de que não estamos dando conta do mercado interno, não vamos levar para vender lá fora", afirmou Lula.

No comentário, o presidente contradisse seu próprio ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que endossou, segundo ele, as justificativas dos plantadores de cana.

Stephanes há algumas semanas fez críticas públicas ao Programa Nacional dos Direitos Humanos e alegou não ter tido acesso ao texto antes de ele ganhar críticas dos ruralistas e de outros setores da sociedade.

Mais cedo, a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgou nota para negar que um pedido feito à Câmara de Comércio Exterior (Camex) de redução ou eliminação da tarifa de importação de etanol tenha a ver com os preços adotados atualmente no mercado interno.

Diante da alta de preços do etanol - em Brasília, por exemplo, o litro do álcool combustível já é vendido a R$ 2,20 - a Unica informou que o pedido está relacionado a uma demanda antiga dos produtores e não à possível falta do produto no mercado.

"A Unica entende que o livre comércio deve ocorrer em todos os sentidos. Por isso, o Brasil, como maior produtor de etanol de cana e maior exportador de etanol do mundo, com 60% do mercado global, deve dar o exemplo e eliminar barreiras, o que o credencia para pleitear medidas similares por parte de países que hoje mantêm mercados protegidos", diz a entidade.

* Com informações da Agência Brasil

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