Deputado da meia acusa presidente da Câmara do DF de fazer manobra para se manter no poder

Keila Santana
Especial para o UOL Notícias
Em Brasília

O ex-presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado Leonardo Prudente (sem partido), acusou o presidente em exercício, deputado Cabo Patrício (PT), de fazer uma manobra para ficar mais tempo no comando da Casa.

Prudente, que renunciou ao cargo na última segunda-feira (25), compareceu na sessão marcada para eleger o novo presidente nesta quarta-feira (27) depois de se ausentar desde o início do mês. Após o encerramento da reunião sem que houvesse a realização da eleição, o deputado Leonardo Prudente disse que foi muito ruim a decisão do deputado Cabo Patrício. “Foi uma manobra. Tudo muito ruim”, disse ao deixar o prédio.

O que seria uma sessão sem surpresas, com a escolha do novo presidente da Câmara Legislativa já acertada entre os aliados do governador José Roberto Arruda, se transformou em bate-boca entre os deputados distritais.

Já estava tudo pronto para a maioria governista eleger o deputado Wilson Lima (PR) como novo presidente da Casa. Uma última conversa com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), na noite de ontem (26), acertou o consenso da base aliada em torno do nome de Lima.

A confusão no plenário, entretanto, começou quando o deputado Cabo Patrício abriu a sessão lendo uma nota que afirmava que estava em curso um esquema secreto onde o governador José Roberto Arruda pagaria R$ 4 milhões a cada distrital que votasse contra os processos de impeachment na Câmara.

Paralelamente, Arruda negou, por meio de assessores, que tenha oferecido o dinheiro aos deputados. Em nota à imprensa, os advogados do governador e a Procuradoria do Distrito Federal afirmam que a denúncia é caluniosa e que uma ação civil e penal contra os responsáveis será aberta.

A base governista reagiu e acusou Patrício de ser a fonte das insinuações caluniosas.

O deputado se irritou e encerrou a sessão sob protestos dos deputados da base aliada. “Tomo essa decisão como presidente, em caráter de foro íntimo, convocando nova data apenas para o dia 2 de fevereiro, uma terça-feira”, disse.

Os governistas passaram quatro horas reunidos tentando encontrar uma brecha no regimento interno da Câmara Legislativa para reabrir a sessão encerrada.

Chegou a ser apresentado um requerimento assinado por 15 deputados aliados para que a sessão fosse retomada, mas os mesmos foram aconselhados pela assessoria a não afrontar a decisão do presidente em exercício.

O primeiro-secretário da Casa, deputado Wilson Lima (PR) admite que o atropelo poderia prejudicar a escolha dele para o comando da Casa. "Desistimos. Reuni a Mesa Diretora e decidimos não reabrir a sessão. Não posso começar descumprindo o regimento antes mesmo de ser eleito", disse.

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