Em tom de comício, Lula critica presidente do PSDB e Jarbas por derrubarem CPMF

Maurício Savarese

Do UOL Notícias<br> Em São Paulo

Em um evento que terminou com a plateia pernambucana entoando músicas de suas campanhas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu nesta quarta-feira (27) o que prometeu no fim de 2008, quando o Congresso derrubou a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira): acusou os adversários no ano eleitoral de impedirem o aumento de recursos para a área da saúde.

"Política deveria ter prazo de vencimento na testa", afirma Lula

Na inauguração de uma unidade de saúde em Paulista, região metropolitana de Recife, o foco das críticas de Lula foi o ex-governador de Pernambuco e senador, Jarbas Vasconcellos. O peemedebista é um dos maiores adversários do governo federal e também do atual ocupante do Palácio do Campo das Princesas, Eduardo Campos (PSB). O presidente também destinou ataques indiretos ao presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), que elevou o tom da disputa nas últimas semanas.

“Alguns políticos brasileiros e alguns de Pernambuco, com objetivo de prejudicar o meu governo, derrotaram em dezembro de 2008 a CPMF, que ajudava a pagar a saúde. Não conheço nenhum empresário que baixou um centavo no preço do seu produto depois que caiu a CPMF. O problema não era de preço. Era de maldade”, afirmou Lula, acompanhado da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata à Presidência, Dilma Rousseff, e do governador pernambucano.

“Eles, com medo, derrotaram a CPMF embora nós tivéssemos maioria. Eles ficaram rindo, certos de que tinham acabado com o governo derrotando a CPMF. Quando falo que existem políticos com data de vencimento, é porque vocês têm de olhar o que essa gente fez pelo Estado. Essa gente precisa aprender que o povo brasileiro cansou da politicalha, da intriga, que quem não quer dinheiro para seu Estado porque o governante é seu adversário.”

Jarbas é adversário do governo Lula desde que se elegeu senador, em 2006 e é cotado para disputar o governo de Pernambuco neste ano – embora as pesquisas indiquem Campos como claro favorito. Guerra enfrenta perspectivas difíceis de reeleição no Estado, de acordo com pesquisas de intenção de voto, e afirmou que o PSDB acabará com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) se o governador de São Paulo e pré-candidato ao Palácio do Planalto, José Serra, vencer as eleições.

O comentário de Guerra elevou o tom da disputa entre petistas e tucanos e fez o presidente, em reunião ministerial, se referir ao presidente do PSDB como um “babaca”. Os pré-candidatos Dilma e Serra têm evitado se envolver na troca de adjetivos como “jagunço”, “mentirosa” e “hipócrita”.

Foco nos adversários
Lula foi ainda mais explícito nos ataques a Jarbas ao comentar sobre o desempenho de Campos no governo estadual. “Se Pernambuco tivesse tido no meu primeiro mandato o Eduardo Campos governando – e olha que dei mais dinheiro para o meu adversário do que o presidente aliado dele (Fernando Henrique Cardoso) – certamente Pernambuco estaria muito mais avançado do que está hoje. Esse Estado não tem o direito de retroceder, voltar a um passado danoso e mesquinho. Esse Estado aprendeu a andar para a frente”, disse.

Jarbas faz parte da corrente peemedebista que defende aliança com Serra para as eleições. As negociações em torno de Dilma, no entanto, estão praticamente sacramentadas, com direito do PMDB de indicar o vice na chapa que concorrerá nas eleições de outubro com a bandeira do governismo.

Antes de Lula, a pré-candidata Dilma discursou sobre a importância da inauguração e cometeu um erro ao citar o escritor Ariano Suassuna, famoso também por seu envolvimento na política, como pernambucano. Ariano nasceu em João Pessoa, na Paraíba. A ministra citou uma frase do autor para indicar como será o comportamento de seus partidários ao longo do ano eleitoral. “Somos madeira que cupim não rói. É isso que estamos fazendo aqui hoje. Mais uma vez resistindo”, afirmou.
 

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