Deputado do DF confirma que bilhete entregue por testemunha é de Arruda

Keila Santana
Especial para o UOL Notícias
Em Brasília

Mais propina no caso Arruda

A Polícia Federal divulgou nesta quinta-feira (4) o vídeo que mostra o momento exato em que o servidor público aposentado Bento da Silva tenta subornar, com R$ 200 mil em dinheiro, o jornalista Edson Sombra, testemunha no chamado mensalão do DEM. A propina seria entregue ao jornalista para que ele não prestasse depoimento no qual reforçaria as acusações feitas por Durval Barbosa, pivô do escândalo do mensalão do DEM.

Um dos aliados do governador José Roberto Arruda (sem partido), o deputado Geraldo Naves (DEM) confirmou que foi mesmo escrito pelo governador o bilhete apreendido pela Polícia Federal com frases para o jornalista Edson Sombra, supostamente aprovando um suborno para mudanças no depoimento prestado no inquérito que apura corrupção na administração do GDF. Segundo Naves, o bilhete foi enviado para tranquilizar o jornalista sobre o retorno da verba de publicidade para o jornal que Edson Sombra dirige.

“O bilhete é verdadeiro, mas a história não é essa que está aí. Isso aconteceu ano passado, eu não estava na Câmara Legislativa. No momento que estourou essa crise, o Sombra me ligou apavorado com a situação do jornal dele. Eu disse que iria lá conversar com o governador sobre patrocínio. O Sombra pediu para que eu dissesse que ele não tinha nada com isso (denúncias). O Arruda escreveu o bilhete e disse que não tem nada contra o Edson”, contou Naves.

No papel entregue por Edson Sombra à Polícia Federal, há seis tópicos listados pelo governador. Arruda começa escrevendo “Gosto dele”, “Sei que tentou evitar”, “Quero ajuda”, “Sou grato”, “Geraldo ta valendo”, e “GDF ok”. Segundo Geraldo Naves, foram tópicos para que ele discorresse a Edson Sombra sobre a conversa que teve com o governador.

“Não são frases soltas e pontuadas, são tópicos. Ele dissertou sobre o assunto pessoalmente a mim e repassei ao Sombra. O item que diz ‘Quero Ajuda’ foi uma forma carinhosa de falar com os amigos e com outras pessoas que pudessem ajudar nesse momento difícil que está passando pela crise. Foi um bilhete tão normal, ingênuo, não tem nada a ver uma coisa com outra”, disse.

Geraldo Naves é presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa, a primeira instância que vai decidir se os processos de impeachment contra o governador Arruda serão abertos ou não. Naves faz parte também da CPI da Corrupção. O distrital garante que tem isenção para continuar à frente das investigações na Câmara Legislativa sobre as denúncias envolvendo o governador e outros oito colegas deputados.

“A isenção eu tenho para estar na Câmara, não tenho nada que me comprometa. Nunca ouvi do governador nenhum tipo de proposta de suborno a ninguém, eu não me prestaria isso. Quem conhece a minha história sabe disso”, afirmou.

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