Chuvas e segurança pública devem integrar arsenal petista anti-Serra

Maurício Savarese

Do UOL Notícias<br>Em São Paulo

A ideia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é estimular uma disputa presidencial que compare seu governo ao não tão popular do antecessor tucano, Fernando Henrique Cardoso. Mas com sua pré-candidata Dilma Rousseff ainda atrás nas pesquisas de intenção de voto, o PT também se prepara para questionar o governador José Serra, líder nas sondagens, sobre sua gestão na crise das chuvas em São Paulo e na segurança pública, que piorou em 2009 em relação ao ano anterior.

Lideranças petistas ouvidas pelo UOL Notícias ponderaram que apesar de os problemas de São Paulo irradiarem para o resto do Brasil e, por consequência, na provável candidatura de Serra ao Palácio do Planalto, a campanha da ministra-chefe da Casa Civil tende a ser mais propositiva – por defender a continuidade do governo Lula -, enquanto o papel das críticas mais duras ficaria por conta do escolhido para disputar o Palácio dos Bandeirantes.

Assim, entendem os petistas interlocutores de Dilma, a preferida de Lula para sua sucessão teria menos resistência no maior colégio eleitoral do país – com cerca de 30 milhões de aptos a votar. Essa é uma tarefa nada fácil em um Estado onde o PSDB ocupa o governo estadual desde 1994 e que tem no tucano Geraldo Alckmin o favorito para vencer as próximas eleições. O PT ainda não sabe qual será seu candidato na disputa - poderia ser até o deputado Ciro Gomes (PSB-CE).

“As temáticas de São Paulo são obrigatórias na eleição nacional. Claro que isso sozinho não decide, a campanha presidencial serve para projetar o futuro. Mas existe poder de irradiação e nós temos de abordar esses temas”, disse Ricardo Berzoini, deputado próximo de Dilma e Lula que em breve deixará a presidência do PT nas mãos de José Eduardo Dutra. “Segurança é um tema importante em todo o país. E no caso das chuvas houve erro no gerenciamento. Vamos discutir isso.”

Cerca de 70 pessoas morreram no Estado de São Paulo durante as chuvas deste início de ano. Cidades foram ilhadas ou parcialmente destruídas, como aconteceu na histórica São Luiz do Paraitinga, por conta daquilo que Serra chamou de “chuvas de um ano atípico”. Especialistas em meteorologia do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), no entanto, dizem que o alto volume de chuvas estava previsto – o que estimulou críticos da gestão estadual a condenar a gestão do governador no assunto.

O primeiro movimento dos petistas sobre o assunto no ano eleitoral veio na terça-feira (2), quando a bancada do partido na Assembleia Legislativa entrou com uma representação no Ministério Público contra o governador paulista pedindo a apuração de “suspeitas de ilegalidade, inconstitucionalidade e improbidade na gestão” do tucano, alegando que ele reduziu recursos para prevenção e combate às enchentes. Serra ainda não se manifestou sobre o assunto.

Ainda não foi divulgada nenhuma pesquisa que medisse se houve impacto dos transtornos causados pelas enchentes sobre a popularidade de Serra, mas seu apadrinhado político e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), viu sua aprovação popular despencar para cerca de 30% um ano depois da posse.

Segurança
O presidente do PT paulista, Edinho Silva, afirma que o candidato do partido no Estado terá de liderar as críticas a Serra na gestão da segurança pública. De acordo com dados oficiais divulgados na terça-feira (2), os homicídios cresceram pela primeira vez em dez anos em São Paulo, impulsionados por maus resultados no interior apesar da queda da violência na região metropolitana.

“Esses números existem por causa de uma municipalização velada da segurança. Cada guarda municipal que se arma enfraquece a segurança, pulveriza as forças. A gestão Serra abriu mão do seu papel. Os municípios estão assumindo a responsabilidade sem nenhuma orientação. Hoje, se um município não paga aluguel da delegacia, não tem prédio. O PT precisa discutir isso e é o que vai fazer”, afirmou.

Questionado sobre a piora dos dados, o delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto, afirmou que se reuniria com os colegas para analisar o motivo de os dados terem piorado. Nos anos anteriores, o governo paulista atribuía o recuo dos índices de violência ao investimento nas polícias e nas apreensões de armas.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), também considera importante a discussão sobre os temas de São Paulo na eleição presidencial, mas demonstra mais inclinação pela comparação entre os governos Lula e FHC. “A grande diferença entre eles é que a Dilma foi ministra deste governo e Serra por sete anos foi ministro de um governo que não tem os mesmos resultados”, afirmou.

“Mas não vamos desprezar o fato de que as questões das chuvas e da segurança mostram que o governo Serra tem um perfil diferente do que diz ter, de bom gestor. Quase todos os dados de segurança de São Paulo pioraram e isso não acontece nos outros Estados. E isso porque o problema é de gestão”, afirmou. “Assim como o Inpe fez um relatório dizendo que neste ano ia ter muitas chuvas. Em vez de a Sabesp regular a água, seguraram. Como não falar disso em um debate como esse?”

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