Para juízes federais, prisão de Arruda é "sopro de esperança"

Do UOL Notícias

Em São Paulo

A Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) divulgou nota nesta sexta-feira (12) na qual classifica a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que mandou prender o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), de “sopro de esperança”.

Segundo a entidade, como a prisão é cautelar, “é fundamental que a sociedade brasileira acompanhe de perto o caso a fim de que ele seja julgado definitivamente em tempo razoável, como determina a Constituição da República”. “Isto para que o sopro de esperança com essa decisão não venha a aprofundar o sentimento de impunidade”, diz em nota.

Com liminar em habeas corpus negada nesta sexta-feira (12) pelo ministro Marco Aurélio de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), Arruda deve passar o Carnaval na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Leia a seguir a íntegra da nota da Ajufe sobre o caso:

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), a propósito da prisão preventiva do governador do Distrito Federal e de outras pessoas, decretada pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, vem manifestar-se nos seguintes termos:

1. A decisão do Superior Tribunal de Justiça é um marco importante e foi tomada diante de fortes indícios da continuidade da prática de crimes, com o objetivo de impedir as investigações.

2. Os membros da Corte Especial decidiram de acordo com a sua convicção, a prova dos autos, a Constituição e as leis do país. Esse conjunto traduz a independência do magistrado, de qualquer instância, de decidir livremente de maneira fundamentada, uma garantia essencial da sociedade brasileira.

3. O ocorrido na sessão de ontem do Superior Tribunal de Justiça se verifica nas mais diversas seções judiciárias da Justiça Federal. Os juízes federais, em especial aqueles com competência criminal, diariamente examinam sozinhos, no silêncio de seus gabinetes, casos envolvendo organizações criminosas complexas e, em muitas vezes, estão colocados em situação de risco, com suas famílias sob ameaça, mas mesmo assim, não se intimidam. A Ajufe estará sempre ao lado deles.

4. A decisão de ontem serve também para se enfatizar como é importante o apoio à magistratura, reafirmando a sua independência de julgamento, cabendo às partes contrariadas com a decisão se utilizar do recurso cabível. Não há democracia sem juízes independentes.

5. A Ajufe rejeita, também, os ataques lançados por advogado contra o Superior Tribunal de Justiça. Ataques que ultrapassam a retórica. O inconformismo com as decisões judiciais é compreensível, mas deve conter-se nos limites democráticos e éticos do processo. Esse tipo de manifestação, que ora sofre o Superior Tribunal de Justiça, é sentido muitas vezes pelos juízes das demais instâncias, ainda mais quando examinam causas que envolvam poderosos.

6. É necessário registrar, por fim, que a prisão ontem decretada é do tipo cautelar. É fundamental que a sociedade brasileira acompanhe de perto o caso a fim de que ele seja julgado definitivamente em tempo razoável, como determina a Constituição da República. Isto para que o sopro de esperança com essa decisão não venha a aprofundar o sentimento de impunidade.

Brasília, 12 de fevereiro de 2010.
Fernando Cesar Baptista de Mattos
Presidente da Ajufe



 

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