Com carta de renúncia pronta, Paulo Octávio afirma que vai esperar para decidir futuro político e segue no governo do DF

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Atualizada às 17h37

O que você acha de Octávio ter carta de renúncia pronta, mas seguir no governo?

Em pronunciamento na tarde desta quinta-feira (18), o governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio, anunciou que tem uma carta renúncia redigida, mas afirmou que vai esperar "alguns dias" para tomar uma decisão definitiva sobre seu futuro político. Ele continua, portanto, a frente do governo do DF, encerrando as especulações sobre sua possível renúncia.

"Apesar de ter minha carta de renúncia pronta e entregue à líder do meu partido, Eliana Pedrosa, eu aguardo alguns dias e, aí sim, tomaremos as decisões necessárias", disse. "Estou pronto, se for necessário, a renunciar. Durante à tarde, ouvi apelos de muitos partidos políticos e da imensa maioria da população brasiliense."

"Quero colocar minha experiência para aguardarmos a decisão do Supremo Tribunal Federal, sou apenas o governador interino. Na próxima semana, o Supremo poderá mudar a vida de Brasília", justificou. "Não sou candidato ao governo, já renunciei (a isso), mas não posso renunciar ainda", concluiu Paulo Octávio.

Ele lembrou a falta de apoio dos partidos e pediu ajuda na governabilidade. Octávio disse ainda que Brasília atravessa "a maior crise política de seus 50 anos de existência". O governador interino classificou ainda uma possível intervenção federal no Distrito Federal como uma "derrota para o todo o povo brasileiro".

Octávio reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Cultural Banco do Brasil, sede provisória da Presidência da República, hoje pela manhã. Ele disse a Lula que uma das opções estudadas por ele era renunciar. O presidente deixou claro que a postura do governo federal em relação à crise no governo do DF seria estritamente institucional e que ele não irá se manifestar antes da decisão da Justiça. Participaram também do encontro o novo ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Paulo Octávio entregou a Lula uma carta com seis pontos em que afirma que o papel que lhe cabe na crise política de Brasília é o de ser um “facilitador” e diz não ter outra ambição que não seja restaurar a normalidade e a governabilidade do DF. “Irei persistir nessa direção apenas e tão somente enquanto me sentir útil como um fator positivo na superação dos inúmeros obstáculos”, diz na carta.

Renúncia de vice de Arruda facilitaria intervenção no DF, dizem especialistas

“A intervenção deve ser avaliada com lupa, sempre, porque é um ato extraordinário. Mas, no DF, os fatos recentes apontam para uma possível justificativa de intervenção”, afirma Gustavo Justino de Oliveira, professor de direito administrativo da USP. “Há fatos que instabilizaram a governabilidade e a governança, ambos estão comprometidos”, avalia o professor.

Sobre a possibilidade de renúncia, Lula disse a Paulo Octávio que essa é uma decisão de foro íntimo do governador e que o governo federal não tem nenhuma opinião sobre o tema, segundo Padilha.

Um grupo de cerca de 20 manifestantes gritava fora do Palácio do Buriti, local onde Paulo Octávio discursou. Os manifestantes diziam que era mentira o apoio que ele alegou ter da população brasiliense. Eles portavam uma bandeira do Brasil e apitos. Alguns usam narizes de palhaço e gritavam palavras de ordem, pedindo a renúncia e a prisão do governador interino.

Por isso, o policiamento no local foi reforçado durante o pronunciamento de Paulo Octávio. Segundo o major Giuliano, cerca de 50 policiais foram chamados para garantir a segurança do local. Não houve confronto entre policiais e manifestantes.

Octávio e o DEM
O DEM vai avaliar a situação de Paulo Octávio na semana que vem. O partido poderá expulsá-lo e intervir no Diretório Regional do DF. A estratégia de lideranças nacionais da legenda é a de tentar isolar a corrupção no partido no Distrito Federal. Desde a prisão de José Roberto Arruda, em 11 de fevereiro, o vice Paulo Octavio atua como governador interino do Distrito Federal.

Eleito em 2006 na chapa dos Democratas, Paulo Octávio Alves Pereira também presidia, desde 2008, a Regional do DEM-DF, cargo do qual se licenciou quando assumiu o governo.

O titular do cargo, José Roberto Arruda, está preso após decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e referendada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello na semana passada. Arruda é acusado de participação de tentativa de suborno de uma testemunha do chamado mensalão do DEM, o esquema de enriquecimento ilícito e pagamento de propina a políticos por empresas de informática que tinham contratos no governo do DF, de acordo com investigação da Polícia Federal. Octávio é citado nas investigações e nega envolvimento no esquema.



* Com informações de Camila Campanerut, do UOL Notícias, em Brasília

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